O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou nesta quarta-feira (28), em Brasília, que a continuidade das reformas na economia brasileira é essencial para manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos.
Segundo Goldfajn, as reformas, como a da Previdência, vão ajudar também na redução dos juros e na recuperação sustentável da economia.
Goldfajn destacou que um dos riscos acompanhados pelo BC era o de frustração nas expectativas sobre a continuidade das reformas e disso ser intensificado por um choque externo (alta do dólar). “Afirmamos que não poderíamos contar com o cenário externo benigno pra sempre. Sabíamos que as condições nas economias avançadas, especialmente a dos Estados Unidos, iam se normalizar. Esse último risco se intensificou”, disse.
O outro risco acompanhado pelo Banco Central era de a inflação ficar abaixo da meta. Segundo o presidente da instituição, esse risco “diminuiu significativamente”.
Hoje, o BC divulgou o Relatório de Inflação, com projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,2%, neste ano.
Sobre os efeitos da greve dos caminhoneiros na economia e na inflação, Goldfajn disse que devem ser temporários, mas o BC avalia a evolução do cenário. “Vamos acompanhar os dados para ver se haverá algum impacto perene [duradouro] ao contrário do que o nosso cenário básico diz”, afirmou Goldfajn.
Goldfajn acrescentou que nos próximos meses haverá “dificuldade maior” para analisar os dados sobre a economia por estarem “contaminados” pelos efeitos da greve dos caminhoneiros.
Ele disse ainda que, ao definir a taxa básica de juros, a Selic, o BC não olha somente as projeções para a inflação divulgadas no relatório de hoje, mas uma “gama ampla de informações” sobre os preços e a atividade econômica, “sabendo que no curto prazo vários desses dados vão ser contaminados pelo choque que a economia sofreu com a greve de transportes”.
O presidente do BC reforçou que o momento de incertezas sobre a economia não permite indicar os próximos passos na definição da taxa básica de juros, a Selic. “Não é obrigatório sempre ter uma indicação futura, depende apenas do grau de incerteza que a situação coloca.”
Câmbio
Goldfajn destacou que o BC continuará a acompanhar o mercado de câmbio, oferecendo liquidez (recursos disponíveis) ao mercado com todos os instrumentos que forem necessários. Ele reforçou que a política monetária e cambial são separadas, sem “relação mecânica” entre elas.
Em momento de alta do dólar, o BC tem feito leilões de swap cambial (venda futura do dólar). Já fez também leilões de linha (venda com compromisso de recompra) em dois dias desta semana.
Deixe seu Comentário
Leia Também

Governos estaduais negam redução de imposto sobre diesel

Exportações industriais de MS batem recorde no 1º bimestre

Mais de 200 mil consumidores podem renegociar dÃvidas de energia em MS

Receita exigirá declaração de ganhos com bets no Imposto de Renda

Mutirão da Febraban para negociar dÃvidas com bancos vai até dia 31 de março

Receita divulga datas de restituição de IR e 1º lote sai em 29 de maio

Governo libera crédito emergencial para atingidos pelas chuvas

Da vitrine a cozinha: Páscoa vira fonte de renda na Capital

Economia pode crescer 1% no primeiro trimestre, diz Haddad







