Menu
Menu
Busca terça, 12 de maio de 2026
Economia

União Europeia veta compra de carne brasileira a partir de setembro

Bloco acusa Brasil de falhas sobre uso de antimicrobianos

12 maio 2026 - 17h40Vinicius Costa, com informações da Agência Brasil

A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco europeu. 

A medida passa a valer em 3 de setembro e foi tomada porque, segundo as autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

Na prática, isso significa que produtos brasileiros como carne bovina, carne de frango, ovos, mel, peixes e animais vivos destinados à alimentação poderão deixar de entrar no mercado europeu caso o governo brasileiro não consiga atender às exigências sanitárias até a data-limite.

A decisão foi confirmada pela Comissão Europeia e ainda precisa ser formalizada no diário oficial da União Europeia para produzir efeitos legais definitivos.

A União Europeia mantém uma lista de países considerados aptos a exportar produtos de origem animal ao bloco. Para integrar essa relação, cada país precisa comprovar que segue as normas sanitárias europeias.

O Brasil estava autorizado até agora, mas acabou retirado da lista após a revisão das regras ligadas ao uso de antimicrobianos na criação animal.

Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permaneceram autorizados a exportar normalmente para o bloco europeu.

Entenda substâncias - Antimicrobianos são medicamentos usados para combater microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Na pecuária, essas substâncias podem servir tanto para tratar doenças quanto para estimular o crescimento dos animais e aumentar a produtividade.

A União Europeia proíbe especialmente o uso de antimicrobianos que também são importantes para tratamentos médicos em humanos. O objetivo é evitar a chamada resistência antimicrobiana, situação em que bactérias passam a resistir aos medicamentos.

Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

O bloco europeu considera que o Brasil ainda não demonstrou de forma suficiente que essas substâncias deixaram de ser usadas ao longo de toda a cadeia produtiva animal destinada à exportação.

Como afeta o Brasil - A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

Além da carne bovina, a medida pode afetar exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e produtos derivados de origem animal.

O problema não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados.

Caminhos possíveis - Em abril, o governo brasileiro publicou uma portaria proibindo parte dos antimicrobianos utilizados como melhoradores de desempenho animal. Mesmo assim, a União Europeia avalia que ainda faltam garantias adicionais.

O Brasil tem dois caminhos para reverter a situação: ampliar as restrições legais aos medicamentos restantes ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam essas substâncias.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Setor reage - Entidades do agronegócio brasileiro afirmaram que trabalham em conjunto com o Ministério da Agricultura para atender às exigências europeias antes da entrada em vigor da medida.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil continua habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu até setembro e disse que o setor tem sistemas robustos de controle sanitário e rastreabilidade.

Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) declarou que o país cumpre as normas internacionais e prestará esclarecimentos técnicos às autoridades europeias.

Representantes do setor de mel também criticaram a decisão. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, o Brasil é um dos maiores produtores de mel orgânico do mundo e não haveria justificativa técnica para restrições ao produto.

Pressão europeia - A decisão ocorre poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tema que enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França. Na segunda-feira (11), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) anunciou que o Brasil tinha começado a exportar carnes bovina e de aves ao mercado europeu com alíquota zero, por causa do regime de cotas do acordo.

Apesar disso, a medida sanitária não faz parte diretamente do acordo comercial. As regras sobre antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo.

O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou nesta terça que os produtores europeus seguem regras sanitárias rigorosas e que os produtos importados precisam obedecer aos mesmos padrões.

Reportar Erro

Deixe seu Comentário

Leia Também

Carne bovina
Economia
Governo promete reverter veto da UE a carnes e animais brasileiros
Foto: CNC
Economia
Comércio e indústria defendem manter "taxa das blusinhas"
Carrinho de cliente com compras em supermercado
Economia
Cesta básica fica mais cara em todas as capitais no mês de abril
Preço do diesel cai pela 4ª vez em cinco semanas e acumula recuo de 4,5%
Economia
Preço do diesel cai pela 4ª vez em cinco semanas e acumula recuo de 4,5%
Foto: Divulgação
Economia
Alface registra maior queda de preço na Ceasa/MS nesta semana
carteira de trabalho emprego
Política
Governo vai restringir acesso ao PIS/Pasep e 4,5 milhões podem perder benefício até 2030
Exportações cresceram no MS
Economia
Exportações de Mato Grosso do Sul crescem 6,26% no primeiro quadrimestre
 Redução da jornada mobiliza sindicatos e preocupa empresários
Economia
Redução da jornada reacende embate entre sindicatos e setor patronal em MS
Planos de saúde sofreram reajuste
Economia
Planos de saúde coletivos têm reajuste médio de 9,9%, mostra ANS
Receita Federal
Economia
Chance de inclusão no primeiro lote do Imposto de Renda acaba neste domingo

Mais Lidas

Um dos carros foi parar nas margens da rodovia
Polícia
Colisão frontal deixa dois motoristas feridos na BR-163, em Rio Brilhante
Motocicleta bateu na traseira de uma caminhonete
Polícia
Motociclista morre e garupa fica em estado grave em acidente na Duque de Caxias
Homem foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros
Polícia
Bombeiros salvaram homem que tentou tirar a própria vida em córrego da Ernesto Geisel
Frio vem para derrubar as temperaturas mínimas em MS
Clima
Temperaturas podem ficar abaixo dos 4°C em Mato Grosso do Sul a partir deste domingo