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Lava Jato: “A polícia não pode trabalhar com suposições e sim com fatos", diz defesa

O advogado de dono de lava jato, acusado da morte de Wesner, contesta laudo pericial

24 maio 2017 - 14h38Mauro Nunes

O advogado de Tiago Demarco Sena, 20 anos,  Francisco Guedes Neto, contesta laudo pericial e afirma que delegado responsável pelo caso da morte do adolescente, Wesner Moreira, 17, se baseou em suposições e não em fatos. 

De acordo com o parecer médico solicitado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Dpca) que investiga a morte do jovem, comprovou que a mangueira foi introduzida em seu ânus. Conforme o delegado, Paulo Sérgio Lauretto, o laudo desmente a versão dos autores do crime, onde eles alegam que colocaram o objeto de forma superficial.  

O advogado contesta a versão da polícia. “Existem contradições no laudo pericial. No ânus do garoto não foi encontrado nenhum arranhão, até um aluno de primeira série poderia constatar isso”, protestou. 

“Será mesmo que se eles quisessem matar o menino, iriam fazer isso em um local público para todos verem? Como o delegado vem dizer que a palavra do garoto não pode ser usada, pois ele estava com vergonha de dizer o que aconteceu? Tanto à vítima quanto os autores disseram que a mangueira não foi introduzida”, questionou. 

Guedes disse que a defesa se sensibiliza com as dores da família, mas que o processo não é para colocar ninguém na cadeia e sim reparar um dano causado. O advogado disse ainda que vai apresentar os envolvidos, Thiago Giovani Demarco Sena e Willian Larrea, para serem indiciados, mas não revelou quando será feito.   

“A polícia não pode trabalhar com suposições e sim com fatos, dizer que o menino estava constrangido, isso não é prova e sim uma suposição”, finalizou Neto. 

O caso chocou a Capital 

Wesner foi internado as pressas no dia 3 de fevereiro após o patrão e um colega de trabalho fazerem uma “brincadeira” com uma mangueira de compressor de ar, que atingiu o ânus e acabou entrando ar no corpo do adolescente. Após ser levado para a Santa Casa da Capital, ele teve que ser submetido a uma cirurgia para retirada de 20 centímetros do intestino. 

O caso chocou a Capital, já que os suspeitos Thiago Giovani Demarco Sena e Willian Larrea trabalhavam com o jovem no lava-jato. A situação que foi tratada por eles como uma brincadeira, virou caso de polícia. 
O adolescente ficou onze dias internado na Santa Casa de Campo Grande, mas morreu na tarde do dia 14 de fevereiro. De acordo com a assessoria do hospital, a causa da morte foi choque hipovolêmico, que é a perda de grandes quantidades de sangue e líquidos, seguidos de uma parada cardiorrespiratória. 

 

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