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Na penitenciária de Segurança Máxima da Capital, reeducandos produzem beliches e camas box

23 março 2017 - 09h21Assessoria de Imprensa

Com foco na reinserção social de pessoas em situação de prisão no Mato Grosso do Sul, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) aposta em parcerias com empresas para garantir ocupação produtiva remunerada e profissionalização aos custodiados. Inserida nesta ótica, está a marcenaria instalada no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC), o Segurança Máxima de Campo Grande.

No local, estão trabalhando atualmente quatro reeducandos, que participam de todo o processo de produção, atuando desde o corte da madeira bruta aos retoques finais. “Primeiro, passamos as vigas na desengrossadeira; elas são cortadas nas medidas das camas e furamos para fazer os encaixes. Depois dessa etapa, passamos na lixadeira, onde é feito um processo de ‘fixagem’ para envernizar. A partir daí, começa a montagem das camas, num padrão no esquadro; assim que a cama está pronta é embalada para ir ao comércio”, detalha o detento Mauro Sérgio de Oliveira, 40 anos, ressaltando que também realiza serviços de manutenção nas máquinas.

Há 11 anos cumprindo pena na Máxima, ele vê no trabalho uma oportunidade para traçar caminhos diferentes quando deixar a prisão. “Aprendemos a ter uma disciplina e organização na própria vida, e saímos daqui sabendo da importância de cuidar da família, além de apreender uma profissão”, garante Mauro Sérgio, destacando que, além do ofício de marceneiro, também participou de cursos profissionalizantes na área de culinária, oferecidos no presídio, entre eles o de pizzaiolo e confeiteiro.

Chegam a ser produzidas no local, em média, 80 camas por semana, que são revendidas no comércio da Capital e do interior. “Agora, estamos trabalhando numa encomenda de 200 camas para serem entregues ainda este mês”, revela o interno.

Apesar de as camas serem o “carro-chefe” da produção, conforme explica o custodiado, na marcenaria também são produzidos outros tipos de móveis, como armários e cômodas. Toda a produção é monitorada por instrutores.

De acordo com o diretor da penitenciária, João Bosco Correia, além de terem bom comportamento, para atuarem na marcenaria, os apenados precisam passar por um treinamento e demonstrar aptidão para o serviço.

Segundo Bosco, na unidade prisional existem outras oficinas em que se ocupa mão de obra, como cozinha industrial, padaria, tapeçaria, oficina mecânica e funilaria, fábrica de cadeiras de fio e reciclagem. Os internos também atuam em serviços de manutenção e limpeza.

Dados Estaduais

Atualmente em Mato Grosso do Sul, 38% dos presos trabalham, entre reeducandos dos regimes fechado, semiaberto e aberto; índice que supera a média nacional que gira em torno de 25%. De acordo com a chefe de divisão do Trabalho da Agepen, agente Elaine Cristina Souza Alencar Cecci, são mais de 150 parcerias com empresas.

Para o diretor da Agepen, agente penitenciário Aud de Oliveira Chaves, a atividade laboral é apenas uma das ferramentas para a reinserção social. “Também existem outras das alternativas, como as aulas, a biblioteca e as ações culturais e religiosas. São atividades que, em conjunto, ajudam no processo de ressocialização”, finaliza.

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