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Polícia Federal aciona Interpol para apurar se Eike Batista está no exterior

26 janeiro 2017 - 12h46G1 Notícias

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal procuram saber se o empresário Eike Batista deixou o Brasil nesta semana, antes de ter a prisão preventiva pedida pelo juiz federal Marcelo Brêtas. A Operação Eficiência foi desencadeada na manhã desta quinta-feira (26), sem encontrar Eike Batista em casa. A Polícia investiga se ele deixou o país na noite de terça-feira (24).

O advogado de Eike, Fernando Martins, confirmou à TV Globo que Eike está em Nova York. Ele disse que não sabe a localização e que ele foi a trabalho. Fernando afirmou que ele vai voltar pra se apresentar, "como sempre o fez", mas não tem previsão desse voo, nem se é hoje.

Ele disse ainda que todas as informações sobre o Eike estão concentradas no Rio, no escritório de advocacia, e que o cliente dele não vai deixar de se apresentar e fornecer todas as informações à Justiça.

De acordo com o delegado Tacio Muzzi, a informação de que ele estaria fora do país só chegou ao conhecimento da PF nesta madrugada.

“Na primeira hora de hoje levantou-se a possibilidade de uma reserva para um voo da American Airlines, voo 974, com destino a Nova York, chegando na parte da manhã. Agora, a Polícia Federal já está em pleno contato com a Interpol, primeiro para localizar, para verificar se ele efetivamente chegou à Nova York. Essa informação não foi confirmada ainda, mas a Interpol já está verificando no âmbito da cooperação policial”, afirmou o delegado em coletiva da Operação Eficiência. A PF ainda investiga a possibilidade de Eike ter deixado o país utilizando passaporte alemão.

A Polícia Federal apura se houve vazamento da operação. Um mandado de prisão internacional será pedido pela Polícia Federal à Interpol para o empresário, com cumprimento imediato, caso ele esteja no exterior.

A PF recebeu os mandados de prisão preventiva da Justiça Federal na quarta-feira. A inserção no sistema para proibição de saída do País só ocorreu, portanto, depois que Eike já estaria fora do país.

Os investigadores afirmam que a operação não conseguiu determinar completamente como foi lavado o dinheiro dos participantes do esquema. "O patrimônio da organização comandada por Sergio Cabral é um oceano ainda não mapeado", disse Leonardo Freitas, Procurador da República.

Acusações

Eike Batista é acusado de pagar propina para conseguir facilidades em contratos com o governo, quando governador era Sérgio Cabral.

O Ministério Público Federal apura um repasse de R$ 1 milhão de uma das empresas de Eike ao escritório de advocacia da mulher de Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo.

Além disso, investiga o pagamento de propina no valor de US$ 16,5 milhões a Sérgio Cabral. O repasse desta quantia foi relatado ao Ministério Público Federal por dois delatores, os irmãos Renato e Marcelo Chebar, apontados pelos promotores como os operadores financeiros do esquema criminoso comandado pelo ex-governador.

O empresário já foi o homem mais rico do Brasil e chegou a figurar entre os dez bilionários do mundo. Ele viu seu império ruir com a derrocada da petroleira OGX, que acabou causando um efeito dominó nas outras empresas do grupo.

Outros alvos

Além de Eike Batista, outras oito pessoas são alvos de mandados de prisão preventiva na Operação Eficiência. Uma delas é Flávio Godinho, braço-direito de Eike na empresa EBX, hoje vice-presidente de futebol do Flamengo. Ele é acusado de ser um dos operadores do esquema, através da ocultação e lavagem de dinheiro das propinas que eram recolhidas das empreiteiras que faziam obras públicas no Rio de Janeiro.

Também foram presos nesta quinta: Thiago Aragão Gonçalves Pereira e Silva, advogado e sócio de Adriana Ancelmo (mulher de Sérgio Cabral); Álvaro Jose Galiez Novis e Sérgio de Castro Oliveira. Além de Eike Batista, a PF ainda tenta cumprir o mandado de prisão preventiva contra Francisco de Assis Neto.

Outros três mandados foram expedidos contra investigados que já estão presos: o ex-governador Sérgio Cabral, Wilson Carlos e Carlos Miranda, respectivamente ex-secretário e ex-assessor de Cabral. Os três estão presos no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio.

Esta é a terceira vez que o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, expede mandados de prisão contra Cabral, Wilson e Carlos.

De acordo com o MPF, a organização criminosa liderada por Cabral teria movimentado entre agosto de 2014 e junho de 2015, cerca de R$ 39,7 milhões. Wilson Carlos teria US$ 15 milhões no exterior. Miranda, US$, 7 milhões.

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