Para o Ministério Público Estadual (MPE), o quadro da artista plástica Alessandra Cunha, denunciado por deputados e apreendido pela polícia, não faz apologia à pedofilia. Promotores e procuradores se manifestaram na tarde desta sexta-feira (15), sobre a polêmica gerada pela obra de arte. O MPE ainda destacou que a apreensão do quadro foi incorreta.
A tela “Pedofilia” estava exposta no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (Marco) e causou indignação aos deputados que denunciaram à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPAC) por apologia ao crime de pedofilia. A obra foi apreendida pela polícia na tarde desta quinta-feira (14).
O promotor de justiça titular da 27ª Promotoria de Justiça, especializada no atendimento à Infância e Juventude, Gerson Eduardo de Araújo, descreve que a obra mostra uma criança assustada diante de dois homens nus, contendo no fundo e em destaque um olho onde lágrimas são vertidas.
“A imagem retratada no quadro não representa um incentivo ou elogio ao crime de pedofilia ou a outro crime de abuso sexual contra uma criança. O propósito da artista, tem condão de causar uma reflexão, um debate sobre o tema e não promover o incentivo para que crianças sejam alvos desses crimes”, declara o Promotor.
A procuradora de justiça e Coordenadora das Procuradorias de Justiça de Interesses Difusos e Coletivos, Ariadne de Fátima Cantú da Silva, afirmou que não foi não encontrada na obra qualquer tipicidade penal ou elemento que violasse os preceitos estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“É lamentável que um belo trabalho como o da artista Alessandra Cunha seja considerado ofensivo quando vemos a toda hora os direitos da população serem ofendidos pelos barbarismos da corrupção”, afirma a Procuradora Ariadne de Fátima.
Para a Procuradora de Justiça Jaceguara Dantas da Silva Passos o fato nome da obra ser “pedofilia”, não significa um incentivo. “A denominação de ‘pedofilia’, não significa um incentivo à tal pratica, mas sim, um chamamento a um tema que tem sido recorrente em nossa sociedade e que se constitui em uma das mais graves violações aos direitos da criança”, destaca.
O MPE ainda descreveu a apreensão da obra como uma “uma agressão à arte e a cultura, que devem ser incentivadas em qualquer sociedade desenvolvida e democrática”.
Reportar Erro
Deixe seu Comentário
Leia Também

Polícia Militar atende ocorrência de cão vítima de escalpelamento em Nova Alvorada do Sul

Denúncia aponta que terreno 'abandonado' no Centro tem até família de lobinhos

Carro funerário de Bandeirantes é flagrado transportando cocaína no DF

Mais uma vez acumulada, Mega-Sena chega a incríveis R$ 102 milhões

Tentativa de homicídio em Campo Grande 'rende' pena de 3 anos em regime aberto

Motorista bêbado que matou criança e idosa em acidente na Capital vai a júri popular

Pesquisa aponta que mulheres preferem homens com pênis maiores

TJ mantém condenação de homem que estuprou a enteada mais de 10 vezes em MS

Força Tática prende "Corujão" por tráfico na região norte de Campo Grande






