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Justiça torna réus PMs acusados de matar homem em surto no bairro Vida Nova

Os acusados podem sentar no banco dos réus para serem julgados pelo crivo popular

22 janeiro 2026 - 08h54Vinícius Santos

A Justiça de Campo Grande tornou réus os policiais militares da PMMS, José Laurentino dos Santos Neto, sargento, e Vinicius Araújo Soares, soldado, acusados de homicídio qualificado pela morte de Rafael da Silva Costa, de 35 anos. O caso ocorreu no bairro Jardim Vida Nova, na região norte da capital, em 21 de novembro de 2025.

Os dois policiais chegaram a ser presos pelo Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (Gacep/MPMS). Conforme a investigação, a vítima era um jovem em sofrimento mental, que estaria em crise no momento da abordagem, situação que foi registrada por câmeras no entorno.

Segundo a acusação, Rafael foi submetido a agressões com cassetetes e a múltiplos choques elétricos, mesmo sem oferecer resistência, o que teria provocado um AVC fatal. Dois vídeos obtidos durante o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) registram o momento da abordagem e embasam a denúncia.

Além do homicídio qualificado, foi imputado ao sargento — superior hierárquico da equipe — o crime de falsidade ideológica. De acordo com o Ministério Público, ele teria registrado no boletim de ocorrência que a vítima tentou tomar sua arma e resistiu ativamente, versão desmentida pelas provas audiovisuais colhidas na investigação.

O oferecimento da denúncia decorre de um PIC instaurado diretamente pelo Gacep/MPMS, a partir de fatos amplamente noticiados pela imprensa local. A apuração independente buscou assegurar isenção, seguindo diretrizes da Corte Interamericana de Direitos Humanos para casos de mortes decorrentes de intervenção estatal.

Empossado na turma mais recente da PMMS, o soldado, de 27 anos, vai responder em liberdade. Já o sargento, de 44 anos, permanece preso. Em relação a ele, a decisão judicial fundamenta-se na gravidade do crime e na tentativa de manipulação das investigações, diante das informações falsas lançadas no registro policial para justificar a truculência da abordagem. 

O histórico funcional citado nos autos aponta outros episódios de violência policial, inclusive outro homicídio. O processo segue em tramitação na 1ª Vara do Tribunal do Júri, sob a presidência do juiz Carlos Alberto Garcete, e os acusados podem sentar no banco dos réus para serem julgados pelo crivo popular.

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