O desembargador Ary Raghiant Neto anunciou que deixará o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) no dia 27 de março de 2026, após 3 anos e 3 meses na Corte. A decisão, publicada em portaria assinada pelo presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan, é motivada por razões familiares, profissionais e pelo desejo de retomar a advocacia, carreira que exerceu por mais de 30 anos.
Ao explicar sua saída, Raghiant Neto destacou que a decisão foi resultado de uma profunda reflexão pessoal e profissional. “Foi uma decisão difícil, mas bem pensada”, afirmou, ressaltando a gratidão pelo acolhimento recebido no Tribunal. Para ele, o momento representa também uma oportunidade de retomar maior liberdade pessoal e profissional.
O desembargador observou que a escolha revela um cenário mais amplo que merece atenção da sociedade e das instituições. Segundo ele, há um movimento que contribui para a desvalorização da magistratura, que pode desestimular pessoas vocacionadas a permanecer na carreira. “As pessoas olham apenas o lado glamouroso da magistratura, mas não entendem como realmente vive um magistrado”, disse, destacando as restrições e a vigilância constante sobre a conduta do profissional, inclusive nas redes sociais.
Raghiant Neto reforçou que a decisão de deixar o cargo não tem relação com status ou ego. “Vim para contribuir com o Judiciário de Mato Grosso do Sul. Fui muito bem recebido e fiz grandes amizades dentro do Tribunal”, afirmou. Ele assumiu a Corte em 29 de novembro de 2022, pelo quinto constitucional, após aprovação da OAB, do tribunal e do governador.
Com a saída do TJMS, o desembargador pretende retomar a advocacia, considerando a atividade essencial à sua trajetória profissional. “Cheguei à conclusão de que deveria voltar para a advocacia, que faz parte da minha essência. Com a experiência adquirida nesses três anos, pretendo retomar minha atuação profissional”, destacou, reforçando a reflexão sobre a necessidade de valorização da magistratura.
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