Menu
Menu
Busca sábado, 21 de março de 2026
Gov Rota Celulose Mar26 Capa
Justiça

TJMS mantém absolvição de dupla acusada de matar homem no 'tribunal do crime'

O crime bárbaro ocorreu em fevereiro de 2020 e vitimou Aguinaldo Rodrigues Silva

02 fevereiro 2026 - 12h36Vinícius Santos

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou provimento ao recurso do Ministério Público MPMS) e manteve a absolvição de Ugnelma Aparecida Britez da Silva e Leonel Ricardo Gonçalves Francisco, conhecido como “Cruel”, acusados de envolvimento no homicídio de Aguinaldo Rodrigues Silva. O crime ocorreu em 27 de fevereiro de 2020, no bairro Jardim São Conrado, em Campo Grande.

Em 4 de novembro de 2025, os dois foram submetidos a júri popular, mas acabaram absolvidos pelo Conselho de Sentença. Inconformado com o resultado, o Ministério Público recorreu da decisão, pedindo a anulação da sessão de julgamento e a realização de um novo júri.

No recurso, o MPMS sustentou que existiriam provas suficientes para a condenação dos acusados. Alegou, ainda, que os elementos constantes nos autos demonstrariam que o crime teria sido praticado por motivo torpe, além de evidenciar crueldade na execução.

Ao analisar o caso, o Tribunal de Justiça destacou que, ao examinar o conjunto probatório, é possível constatar que a tese absolutória adotada pelo júri não é descartável, tampouco dissociada das provas produzidas no processo, sendo, portanto, plenamente admissível a absolvição dos acusados.

A Corte também ressaltou que, sob pena de violação da competência constitucional exclusiva do Tribunal do Júri e da soberania dos veredictos — prevista no artigo 5º, inciso XXXVIII, alínea “c”, da Constituição Federal —, é inviável ao tribunal de segunda instância anular o julgamento com base no argumento de contrariedade às provas dos autos.

Acusação e crime

Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o crime teria sido cometido sob a forma de um “tribunal do crime” ligado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A vítima, Aguinaldo, teria sido condenada e executada por decisão dos integrantes do grupo.

Conforme a acusação, Leonel foi apontado como responsável por agredir Aguinaldo com pauladas até a morte e ocultar o corpo posteriormente. Já Ugnelma teria prestado apoio moral ao acusado durante a execução, encorajando a prática do crime.

O Ministério Público sustenta que Aguinaldo era ex-companheiro de Ugnelma, considerada mandante do assassinato. A denúncia aponta que a vítima não aceitava o fim do relacionamento e procurava Ugnelma em diversas ocasiões, o que teria motivado a acusada a pedir ajuda a Leonel — conhecido como “disciplina” da facção na região — para “dar fim às impertinências” do ex-companheiro.

A investigação também indica que Aguinaldo chegou a ser advertido por Leonel para não manter mais contato com Ugnelma, mas desobedeceu à ordem, o que teria levado à sua condenação e execução dentro das regras impostas pela facção criminosa.

Em juízo, Ugnelma negou qualquer envolvimento com o homicídio, afirmando que sofria ameaças, agressões e abusos sexuais por parte da vítima, e declarou não conhecer Leonel, embora parte das provas contradiga essas afirmações. Leonel também negou participação, mas foi identificado durante as investigações como executor do crime.

O julgamento aconteceu na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, sob a presidência do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida. Durante a sessão, os jurados rejeitaram as acusações, absolvendo os réus. A defesa de Leonel apresentou pedidos de absolvição por negativa de autoria, absolvição genérica e exclusão da qualificadora, em caso de condenação.

Já a defesa de Ugnelma pleiteou absolvição por negativa de autoria, absolvição genérica, reconhecimento de causa especial de diminuição de pena, participação de menor importância e afastamento da qualificadora, caso houvesse condenação.

Em decisão final, acolhendo a soberania do Conselho de Sentença, o juiz julgou improcedente a pretensão acusatória do MPMS e absolveu os acusados do crime de homicídio doloso qualificado. Em razão do resultado, a prisão preventiva de Leonel Ricardo Gonçalves Francisco foi revogada, e foi determinado o imediato expedição do alvará de soltura.

Assim, mais um homicídio termina sem culpados, sem responsabilização, mesmo diante de todo o trabalho investigativo realizado pelas forças policiais.

JD1 No Celular

Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.

Tenha em seu celular o aplicativo do JD1 no iOS ou Android.

Reportar Erro

Deixe seu Comentário

Leia Também

Fórum de Campo Grande
Justiça
Homem que atacou a ex com facadas é condenado a 17 anos de prisão em Campo Grande
Cidade de Itaporã, em Mato Grosso do Sul
Justiça
Justiça aumenta pena e impõe regime fechado a agressor de mulher em MS
WhatsApp - Foto: Ilustrativa / Pixabay / Webster2703
Tecnologia
Homem perde WhatsApp Business e Justiça de Campo Grande manda Meta reativar
Fachada da prefeitura de Campo Grande
Justiça
Juiz manda sequestrar R$ 21 mil da prefeitura para garantir tratamento de paciente
Terminal em Campo Grande - Foto: Jônatas Bis/JD1
Cidade
Prefeitura alega 'grave crise financeira' e recorre contra tarifa de ônibus de R$ 7,79
Daniel Vorcaro, dono do banco Master
Justiça
Vorcaro dá primeiro passo para delação e caso avança no STF
Condenação por improbidade administrativa atinge juiz, dois réus e empresa em Campo Grande
Justiça
Condenação por improbidade administrativa atinge juiz, dois réus e empresa em Campo Grande
Santa Casa de Campo Grande
Transparência
Justiça manda Santa Casa apresentar contabilidade detalhada em 30 dias
Organizações criminosas exploram dados de processos para aplicar golpe do falso advogado
Justiça
Organizações criminosas exploram dados de processos para aplicar golpe do falso advogado
Fórum de Campo Grande - Foto: Reprodução
Justiça
Justiça de Campo Grande condena advogado a devolver R$ 21 milhões a clientes

Mais Lidas

Caso aconteceu em uma escola municipal da cidade
Polícia
'Namoro' de monitor de escola municipal com menina de 13 anos é descoberto em Campo Grande
Horóscopo do dia - Veja a previsão para o seu signo 19/3/2026
Comportamento
Horóscopo do dia - Veja a previsão para o seu signo 19/3/2026
Abadio morreu em dezembro do ano passado
Polícia
Polícia Civil captura homem por latrocínio brutal de idoso no Jardim Colibri
Alex Choco marcou três gols na partida
Esportes
Em jogo com três expulsões, Bataguassu goleia Naviraiense e vai à final do Estadual