Os marketeiros, regiamente pagos pelos partidos, são verdadeiros mágicos na tarefa de transformar seus candidatos em super-heróis capazes de solucionar todos os problemas do povo. Atuam mais eficientemente do que seus precursores que um dia impuseram às donas de casa o sabão em pó que “lava mais branco”, o refrigerante que “refresca a sede” e outras verdades (ou mentiras bem colocadas) que se incrustaram no imaginário popular. Governos e governantes são transformados em componentes de uma verdadeira ilha da fantasia quando a tarefa é conseguir a reeleição.
Por tudo o que temos visto nesses 20 dias de propaganda “gratuita”, não evoluímos nada em relação às eleições anteriores. Os novatos seguem com as velhas propostas de melhorar a gestão, aplicar melhor o dinheiro público, garantir saúde, educação, segurança pública e outros itens hoje negligenciados. Os postulantes da reeleição dizem maravilhas sobre aquilo que realizaram e prometem fazer muito mais. E o cidadão, eleitor, dono do voto em disputa, resta com aquela sensação de que, mais uma vez é enganado por aqueles que “gostam de levar vantagem em tudo”, como dizia a publicidade de cigarro que, para desencanto do seu protagonista, gerou a popular “Lei do Gerson”.
Os candidatos à reeleição falam em saúde plena com hospitais de alta tecnologia, escola de tempo integral, estudo para todos. E ignoram a barbárie das mortes nos corredores de hospitais lotados, as filas por vaga nas creches, as escolas que não ensinam mas promovem o aluno. Ao assistir esse desfile de maravilhas, o eleitor, que vive a crueza da realidade, fica com a nítida impressão de que falam de outro lugar. Que esse lugar e seus mirabolantes empreendimentos só existem na linguagem fácil dos marketeiros e no interesse dos candidatos pelos votos. “Se descobrir onde é isso, mudo para lá agora mesmo” – disse, ao assistir a propaganda, o velho militante, que já viu muita água passar debaixo da ponte...
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da Aspomil (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)Reportar Erro
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