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Opinião

OPINIÃO: Não deixe seu filho assistir a vídeos curtos

Qualquer minuto de tédio é imediatamente preenchido por um "videozinho"

02 janeiro 2026 - 10h23Por Taís Fenelon, doutora em Comunicação e professora PPGCOM/UFMS    atualizado em 02/01/2026 às 11h37

Cada vez mais pais têm recorrido a celulares, jogos e vídeos curtos como uma estratégia para entreter os filhos e “ganhar sossego”. Basta observar em restaurantes, aeroportos, shoppings ou salas de espera: crianças pequenas já possuem celular próprio e o mantêm sempre nas mãos — inclusive no banheiro. Qualquer minuto de tédio é imediatamente preenchido por um “videozinho”.

O problema é que muitos pais não sabem o que seus filhos estão assistindo, nem como as plataformas funcionam. Redes como TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts utilizam algoritmos de recomendação cujo objetivo principal é maximizar o tempo de tela. Estudos mostram que esses sistemas aprendem rapidamente quais conteúdos prendem mais a atenção do usuário e passam a entregar vídeos cada vez mais curtos, emocionais e repetitivos. Assim, cinco minutos facilmente se transformam em uma hora.

As consequências do consumo frequente de vídeos curtos por crianças e adolescentes já começam a aparecer em pesquisas científicas. Uma delas é o comportamento de dependência, com liberação constante de dopamina a cada novo vídeo, o que reduz o interesse por experiências do mundo real, como brincar, ler ou conversar.

Outro impacto grave é a fragmentação da atenção. Pesquisas em neurociência e educação indicam que o consumo excessivo de conteúdos rápidos e alternados prejudica a capacidade de concentração prolongada, a memorização e o desempenho escolar. A criança passa a ter dificuldade em tarefas que exigem foco contínuo, como estudar, ouvir uma explicação ou ler um texto mais longo.

Além disso, os vídeos curtos colocam a criança em uma posição totalmente passiva: não há tempo para reflexão, questionamento ou raciocínio. Isso compromete o desenvolvimento do senso crítico, pois o conteúdo é apenas consumido, não elaborado.

Há ainda o problema do tipo de conteúdo entregue. Os algoritmos priorizam vídeos que geram emoções intensas — raiva, medo, inveja ou desejo. Com isso, pesquisas mostram padrões preocupantes: meninos são mais expostos a conteúdos ligados à violência, misoginia e comportamentos agressivos; meninas, a consumismo, dietas, padrões irreais de beleza e sexualização precoce. 

Uma alternativa mais saudável para os pais que desejam manter contato com os filhos é oferecer um celular limitado a ligações e mensagens, sem acesso a redes sociais. Para momentos de descanso, filmes e desenhos na televisão são opções melhores, pois estimulam a atenção contínua, diferente dos vídeos curtos que fragmentam o foco a cada poucos segundos.

Proteger a infância hoje não é proibir tecnologia, mas usá-la com consciência. O cérebro da criança está em formação, e o excesso de vídeos curtos pode deixar marcas que só aparecerão plenamente anos depois. 

Artigo escrito por Taís Fenelon, doutora em Comunicação e professora na UFMS. 

 

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