O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Papy, afirmou que o Legislativo muitas vezes fica “entre a cruz e a espada” ao analisar propostas enviadas pela prefeitura, especialmente em temas que geram impacto direto para a população, como o reajuste do IPTU.
A declaração foi feita durante o Café com Política nesta sexta-feira (29), oportunidade em que ele abordou a demora na regulamentação dos parquímetros, a queda na participação da Capital no ICMS estadual e seu futuro político.
Papy lembrou que a cidade está há anos sem o estacionamento rotativo e defendeu a ampliação das áreas contempladas, incluindo polos gastronômicos e comerciais. Segundo ele, a dificuldade não está na falta de interesse da administração municipal, mas no tempo gasto para a tomada de decisões.
“O problema é o tempo que se gasta na tomada de decisão importante. Às vezes o político toma uma decisão certa no tempo errado. O resultado é ruim”, afirmou.
Papy também voltou a defender medidas que fortaleçam a arrecadação municipal e disse que Campo Grande precisa encontrar alternativas para equilibrar receitas e despesas. “O que Campo Grande deixou de fazer para aumentar suas receitas frente às suas despesas é o maior erro da gestão. O município cresce despesa demais”, declarou.
Nesse contexto, ele citou as discussões mantidas com o governador sobre a redução da participação da Capital nos repasses de ICMS. O tema tem preocupado lideranças políticas e empresariais por representar perda de recursos para o município, que já enfrenta dificuldades financeiras.
Sobre a polêmica envolvendo a atualização dos critérios que impactaram o IPTU, Papy afirmou que a Câmara apenas delibera sobre medidas encaminhadas oficialmente pelo Executivo e que muitas vezes os vereadores acabam sendo cobrados por decisões que não produzem. “A produção da política pública é 100% do Executivo e eu digo sim ou não. Não posso emendar. Sempre a Câmara está entre a cruz e a espada na hora de decidir”, afirmou.
Ao comentar o cenário político, Papy afirmou que o debate eleitoral já está presente no dia a dia da Câmara, mas avaliou que a instituição tem conseguido preservar a relação entre os vereadores mesmo diante das divergências ideológicas.
Questionado sobre uma eventual candidatura à Prefeitura de Campo Grande em 2028, o presidente da Câmara evitou assumir qualquer projeto neste momento, classificando o assunto como especulativo. Ainda assim, deixou claro que não considera a possibilidade descartada.
Papy afirmou que qualquer construção eleitoral passa pelo trabalho realizado agora e pelo reconhecimento da população. Segundo ele, o retorno recebido nas ruas e por mensagens de moradores tem sido positivo, especialmente em relação à condução da Câmara e aos debates promovidos pelo Legislativo.
“É uma posição de algo que não existe e é muito especulativo”, respondeu ao ser questionado sobre a disputa municipal.
O vereador sinalizou que pretende continuar concentrado na presidência da Câmara e nas discussões consideradas prioritárias para a cidade.
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A declaração foi feita durante o Café com Política nesta sexta-feira (Sarah Chaves/JD1)



