Menu
Menu
Busca sábado, 31 de janeiro de 2026
Política

Gilmar Mendes estabelece que só a PGR pode iniciar impeachment de ministros do STF

Para o ministro, o Parlamento não pode investigar os fundamentos das decisões judiciais, nem aplicar sanções ou responsabilizar magistrados pelo conteúdo de seus atos jurisdicionais

03 dezembro 2025 - 11h36Vinícius Santos

Em decisão publicada nesta quarta-feira (3), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) tem legitimidade para abrir processos de impeachment contra ministros da Corte. A decisão, que possui 71 páginas, suspende trechos da Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950) relacionados ao afastamento de magistrados.

A decisão foi proferida nas Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs) 1259 e 1260, apresentadas pelo partido Solidariedade e pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Mendes argumenta que vários dispositivos da lei de 1950 não foram recepcionados pela Constituição de 1988, incluindo o quórum necessário para abertura do processo, a legitimidade para apresentação de denúncias e a possibilidade de interpretar decisões judiciais como crime de responsabilidade. A decisão ainda será levada a referendo do Plenário do STF.

Impeachment e equilíbrio entre os Poderes

O ministro faz um histórico do instituto do impeachment e ressalta seu papel na manutenção do equilíbrio entre os Poderes. Ele alerta, no entanto, que o mecanismo não pode ser usado como forma de intimidação, sob risco de gerar insegurança jurídica e pressionar juízes a atuar de forma parcial ou alinhada a interesses políticos.

“Impeachment infundado de ministros da Suprema Corte enfraquece o Estado de Direito e mina a confiança pública nas instituições que garantem a separação de poderes”, afirmou Gilmar Mendes.

Quórum

Mendes avaliou que o quórum atual previsto na Lei do Impeachment, de maioria simples, é incompatível com a Constituição. Hoje, 21 senadores poderiam abrir processo contra um ministro do STF, número inferior ao exigido para aprovar sua indicação. Segundo o ministro, isso comprometeria garantias constitucionais da magistratura, como vitaliciedade e inamovibilidade, e enfraqueceria a autonomia do Judiciário.

O decano considerou que o quórum adequado seria de dois terços, medida que protege a imparcialidade e a independência da Corte e mantém coerência com o desenho constitucional do processo de impeachment.

Denúncia e exclusividade da PGR

Outro ponto destacado é a vedação para qualquer cidadão apresentar denúncia contra ministros do STF. Mendes entende que a medida evita processos motivados por interesses político-partidários e divergências interpretativas de decisões da Corte. Ele reforça que essa atribuição deve ser exclusiva do PGR, que possui capacidade técnica para avaliar juridicamente a existência de elementos concretos para o início do procedimento.

Afastamento cautelar e crime de hermenêutica

O ministro também decidiu que não é possível instaurar processo de impeachment com base apenas no mérito das decisões dos magistrados, prática que configuraria criminalização da interpretação jurídica, proibida segundo jurisprudência consolidada do STF. Mendes acompanhou ainda o parecer da PGR que defendeu a não recepção dos artigos sobre afastamento temporário de ministros, destacando que, diferente do presidente, um ministro do Supremo não tem substituto, e sua ausência comprometeria o funcionamento da Corte.

Ampla defesa

Por fim, Gilmar Mendes rejeitou pedido da AMB para aplicar a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) ao processo de impeachment, apontando que as garantias de devido processo legal, ampla defesa e contraditório já estão previstas na Lei do Impeachment e no Regimento Interno do Senado.

JD1 No Celular

Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.

Tenha em seu celular o aplicativo do JD1 no iOS ou Android.

Reportar Erro

Deixe seu Comentário

Leia Também

Ministra Simone Tebet
Política
Simone Tebet descarta disputa pelo governo de SP e cita Haddad e Alckmin
Senado Federal - Foto: Andressa Anholete
Política
Congresso Nacional retoma trabalhos em fevereiro com 73 vetos de Lula na pauta
Instituto Mirim de Campo Grande - Foto: Reprodução / PREFCG
Cidade
Adriane Lopes corta 220 vagas do Instituto Mirim e reduz inclusão de adolescentes
Lula passará por cirurgia
Política
Lula fará cirurgia de catarata no olho esquerdo na sexta-feira
Marcos Marcello Trad -
Justiça
Justiça declara nulo ato que efetivou Marquinhos Trad na ALEMS sem concurso público
Chegada do governador Tarcísio de Freitas
Política
Tarcísio chega em comboio à Papuda para visitar Bolsonaro
Foto: TRE-MS
Política
TRE-MS retoma julgamentos com foco em irregularidades eleitorais
Com 15 cadeiras, maior bancada no início de 2026 será do PL
Política
Com ano eleitoral, Senado inicia 2026 com novo equilíbrio entre bancadas
A decisão de pautar a votação foi tomada na manhã desta segunda-feira
Política
Veto que pode suspender aumento da taxa do lixo vai a votação em 3 de fevereiro
Caminhada encerrou ato pró-anistia em Brasília
Política
Ana Portela vê manifestação em Brasília como marco político para 2026

Mais Lidas

Lucas estava desaparecido desde o dia 24
Polícia
Jovem desaparecido no Nova Lima é encontrado morto em área de mata
Confronto aconteceu no bairro Jardim Cerejeiras
Polícia
AGORA: Dois suspeitos de roubos morrem em confronto com o Choque em Campo Grande
Polícia Militar atendeu a ocorrência
Polícia
AGORA: Homem é morto com tiro na cabeça no Jardim Centro Oeste
Alyson morreu após receber golpes de faca
Polícia
Suspeito de assassinar Alyson é preso cometendo furto com irmão em Campo Grande