Após adotar um “mini lockdown” em dois finais de semana, Campo Grande não obteve resultados de real impacto na diminuição da curva de acedência do coronavírus na cidade, chegando a recordes de até 928 confirmações de casos em apenas um dia, como registrado em 22 de julho.
A medida de “mini lockdown” teve inicio no dia 18 de julho, desde essa data, o menor número registrado na capital, foi de 158 confirmações em apenas 24 horas.
Segundo o infectologista da Fiocruz e professor da UFMS, Júlio Croda, Campo Grande não possui capacidade de acompanhar o crescimento da doença dentro da cidade, visto que o município já possui 9.644 mil casos confirmados, conforme boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES).
“É importante a população e o gestor público entender que a curva de crescimento de novos casos, dessa forma que está acelerada. O poder público não tem capacidade de acompanhar essa curva na oferta de leitos”, disse Júlio Croda.
O infectologista também projeta um colapso no sistema de saúde já na próxima semana e afirma que, caso não sejam tomadas medidas duras, como um lockdown, pessoas começarão a morrer por falta de leitos.
“Eu defendo, do ponto de vista técnico, que Campo Grande deva adotar um lockdown, porque é necessário reduzir essa velocidade (de contágio da doença) se não, na minha opinião técnica, já na semana que vem nós veremos pacientes morrendo por falta de leito de UTIs”, revelou o infectologista.
O profissional ainda explica que a chance de morte, de um paciente em estado grave com coronavírus, é de 30% a 50%, se esse mesmo paciente, em estado grave, ficar em uma unidade de pronto atendimento, a chance de morte é de 90%, exemplificando o perigo da falta de leitos de UTIs.
Casos nas últimas 24 horas
Campo Grande registrou, nas últimas 24 horas, 353 casos de coronavírus. Em todo o Mato Grosso do Sul foram 876 confirmações no mesmo período, a doença já matou 357 pessoas até o momento.
O estado já possui 494 pessoas internadas por conta da doença, cinco são de outros estados e 223 estão em leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Em isolamento domiciliar estão 5.741 pessoas infectadas pelo vírus.
A ocupação global dos leitos públicos de UTIs na Macrorregião de Campo Grande já é de 92%, destes 41% são de pacientes com coronavírus e 6% com suspeitas da doença.
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Na foto está o infectologista da Fiocruz, Júlio Croda, durante live oficial do Governo do Estado de MS (Reprodução/Internet)



