O ministro da Saúde do próximo governo, Luiz Henrique Mandetta, disse nesta sexta-feira (28), que o Programa Mais Médicos será completamente revisto na próxima gestão. Ele garantiu que vai aguardar o processo de reposição das vagas iniciado pelo atual governo após a saída de 8,5 mil médicos cubanos, mas criticou o programa pelo que chamou de "improvisações" adotadas desde a sua criação.
"Vamos aguardar o que esse governo vai concluir de reposição das vagas, porque a gente já fez reuniões. O entendimento deles começa de um jeito e depois] muda. A característica desse Programa Mais Médicos é de improvisações, uma atrás da outra, desde o dia que ele foi instalado até o dia de hoje. O programa está vivendo uma crise das improvisações", disse. Ele criticou, por exemplo, o fato de o convênio para atuação dos médicos cubanos não ter previsto um processo de rescisão com saída gradual dos profissionais.
"Como você faz um convênio com o país, no caso Cuba, através da Organização Panamericana de Saúde (Opas), em que não se prevê nem o distrato? Quando você faz o aluguel da sua casa, quando você vai devolver o imóvel, você tem as condições pelas quais você termina. Quando você está trabalhando, você tem até aviso prévio. Então é um programa tão no improviso que nem as condições de como termina o programa foram pensadas", criticou.
Para Mandetta, outro problema do Mais Médicos é não dar prioridade para o preenchimento de vagas nas áreas de difícil provimento, fazendo com que regiões com maior grau de desenvolvimento acabem recebendo os profissionais antes das que mais precisam.
"Tem cidades com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito alto, em que, em tese, não precisaria de médicos estrangeiros, mas onde você teve a substituição completa dos médicos cubanos, e cidades do chamado Brasil profundo, onde tem populações ribeirinhas, distritos sanitários indígenas, onde vocês tem difícil provimento, então por que não começar pelas áreas de difícil provimento?", disse.
Ainda segundo Mandetta, por causa dessa distorção, a primeira cidade com preenchimento de vagas no programa foi Brasília, que seria uma inversão de prioridade, na sua visão. "Não me parece que Brasília seja uma cidade hipossuficiente, uma cidade com IDH elevadíssimo, capital da República, tem um poder aquisitivo muito alto. O programa como um todo vai ter que ser rediscutido", disse.
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"Como você faz um convênio com o país, no caso Cuba, através da Organização Panamericana de Saúde, em que não se prevê nem o distrato?", indagou Mandetta (Reprodução/Internet)



