Menu
Menu
Busca domingo, 10 de maio de 2026
Brasil

Adoção sempre foi difícil no Brasil, diz advogada

07 outubro 2016 - 17h37Agência Brasil

Famílias interessadas em adotar uma criança precisam enfrentar um processo muitas vezes lento. Uma das dificuldades é o cruzamento de informações das crianças nos cadastros e a família que pretende adotar. “O processo de adoção é feito em dois pontos: há aquela criança que precisa ser desligada da família para ser adotada, e esse processo é muito lento, deixando a criança institucionalizada muito tempo. É há aqueles pais que querem adotar que precisam passar por um processo dentro do Poder Judiciário e que também é muito moroso”, disse a diretora da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), Viviane Girardi. Ela também é coordenadora do evento Adoção: Quanto tempo o tempo tem?, que ocorreu hoje (7), em São Paulo. 

Segundo a advogada, regras do Cadastro Nacional de Adoção que foram alteradas recentemente tornam ainda mais díficil a busca de uma criança para ser adotada. Ela citou, como exemplo, uma família procura uma criança de 9 anos de idade. No entanto, o cadastro tem somente crianças com 9 anos e dois meses. Apesar da pequena diferença de idade, o cadastro não entende que essa família pode estar interessada nessa criança e não permite a continuidade do processo. 

“Até 2015, esse cadastro permitia que os juízes e promotores colocassem elementos que traziam visibilidade e condições das crianças de modo mais humanizado. O sistema atual de cadastro não permite maior flexibilidade para que o juiz possa entender o perfil dessa criança e buscar um perfil próximo", disse a advogada.

Viviane lembrou que, quando uma criança é adotada e tirada de uma instituição, a sociedade está dando a ela a oportunidade de ter uma família e uma gama de direitos fundamentais que a Constituição garante, além de laços afetivos, família com avós, tios. Com isso, aumenta-se a teia de proteção em torno dessa criança, que antes ficava marcada pela impessoalidade de uma instituição.
Casais homoafetivos

No caso dos casais homoafetivos, há ainda interpretação de que a opção sexual possa interferir na formação da família e esses casais encontram dificuldades de se habilitarem para adoção de uma criança. “O Judiciário está aí para afastar essas dificuldades, porque isso é ilegal. Seria um preconceito por parte do próprio Poder Judiciário. Sob o ponto de vista dos direitos é exatamente igual. Nós recomendamos, inclusive, que se declare a orientação sexual, porque isso não é o que define se a pessoa é ou não boa para adotar".
O professor de idiomas Claus-Peter Willi vive há 26 anos com Hélio Yoshinori Eto, com quem se casou em novembro de 2012. Eles têm dois filhos adotivos e o primeiro foi adotado apenas por Claus, porque eles não tinham segurança jurídica com relação à adoção por casais homoafetivos. Após o casamento oficial, Hélio fez a adoção unilateral, o que permitiu que a criança tenha agora o nome de dois pais na certidão de nascimento. A adoção do segundo filho foi feita já em nome do casal.

“Nós sempre optamos pela adoção tardia e nosso perfil eram crianças de sete a 11 anos de idade, a maioria das crianças abrigadas e que tem 1% de chance de serem adotadas. Nosso primeiro filho nasceu para nós aos 11 anos de idade e hoje tem 17. O segundo nasceu com 13 e agora está com 15. Nós nunca tivemos problema com relação à nossa união homoafetiva ou nossa opção sexual”, disse o professro Claus-Peter Willi.

O único problema relatado pelo professor ocorreu na primeira adoção, porque a Justiça ainda não havia destituído o pátrio poder do pai biológico. O casal esperou três anos para que o impasse fosse resolvido, mesmo com o menino já morando com eles. “Mesmo aos pais ausentes é dado o poder de ampla defesa mesmo na destituição do pátrio poder. O juiz recorreu três vezes à revelia do pai biológico para garantir que o pai não queria o menino. Isso cria uma insegurança emocional, porque não sabemos se o pai baterá na nossa porta exigindo o filho”.

Segundo Claus, o caso já está resolvido e as crianças se adaptaram. Ele contou que os dois meninos ficaram sete anos em um abrigo, sem atenção, estímulo, carinho e amor individualizados. “Eles começaram a viver normalmente sua vida a partir do momento que se sentiram seguros no nosso lar. Existe um lapso de tempo perdido e que na adoção tardia as crianças tentam recuperar e nós temos que ter esse entendimento de que é a idade emocional e não a cronológica”, disse.

Reportar Erro

Deixe seu Comentário

Leia Também

Check-in passou a ser feito digitalmente
Brasil
Com check-in digital, hóspede pode chegar a hotel com ficha preenchida
Ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, em sessão no STF / Foto: Rosinei Coutinho
Brasil
Moraes suspende aplicação da Lei da Dosimetria até decisão do STF
Bilhetes da Mega-Sena
Brasil
Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 45 milhões neste sábado
Medida começa valer neste domingo
Brasil
Gás do Povo: governo fixa data de pagamento no dia 10 de cada mês
Bactéria foi encontrada em vários produtos da marca Ypê
Brasil
Ypê recorre e suspende efeitos de decisão da Anvisa
Foto: Anderson Silva/Agência Pará
Brasil
Projeto prevê cartórios interligados em maternidades públicas e privadas
Foto publicada pelo goleiro Bruno em visita ao Maracanã
Brasil
Condenado pela morte de Eliza Samudio, ex-goleiro Bruno volta para a prisão
Donvictorio/istock
Brasil
Governo publica acordo do Mercosul com regras mais rápidas para importação e exportação
Apresentação de cartas credenciais do Embaixador do Japão
Brasil
Brasil ganha novos embaixadores diplomáticos de países da Ásia, África e Caribe
Foto: Eduardo Matysiak/Ato Press/Estadão Conteúdo
Brasil
Produtos da Ypê tem fabricação e comercialização suspensos pela Anvisa

Mais Lidas

Imagem ilustrativa
Polícia
Vizinha denuncia casal por ato sexual com janela aberta em prédio no Pioneiros
Caso aconteceu no meio da rua em Àgua Clara
Polícia
VÍDEO: Homens são flagrados no 'rala e rola' a céu aberto em Água Clara
Local do crime - Foto: Brenda Assis
Justiça
Por assassinato a tiros no bairro Moreninha, réu é condenado a 16 anos de prisão
Thamires Rodrigues de Souza
Polícia
Briga no trânsito termina com passageira de aplicativo baleada e morta