O levantamento mostra ainda que os homicídios ocultos cresceram 88,6% entre 2023 e 2024 (Bruno Itan)Apesar de o Brasil ter registrado em 2024 a menor taxa oficial de homicídios dos últimos dez anos, pesquisadores alertam que o aumento das chamadas “mortes violentas por causa indeterminada” pode esconder uma realidade mais grave da violência no país. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o levantamento, o país contabilizou oficialmente 42.590 homicídios no ano passado, taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes, número 7,4% menor em relação a 2023. Ainda assim, o estudo aponta crescimento expressivo dos chamados “homicídios ocultos”, categoria criada para estimar casos em que o Estado não conseguiu identificar oficialmente a causa da morte.
Esses registros entram inicialmente como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), classificadas quando não há confirmação se o óbito foi resultado de homicídio, acidente ou outra ocorrência. Para tentar corrigir a distorção, os pesquisadores aplicaram um método estatístico que reclassifica parte desses casos.
Com a inclusão dessas mortes estimadas, o número real de homicídios em 2024 subiria para 49.673 no país, praticamente estável em relação ao ano anterior, com redução de apenas 0,3%.
O levantamento mostra ainda que os homicídios ocultos cresceram 88,6% entre 2023 e 2024, saltando de 3.755 para 7.083 casos. A participação dessas ocorrências também dobrou no período, passando de 7,6% para 14,3% do total estimado de homicídios.
Segundo os pesquisadores, o cenário cria um “ponto cego estatístico” e exige cautela na análise da redução da violência letal no Brasil. Entre 2014 e 2024, o país acumulou mais de 55 mil homicídios ocultos, média de aproximadamente 5 mil casos por ano.
O estudo também aponta diferenças regionais. As menores taxas oficiais de homicídios foram registradas em São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal. Já os maiores índices aparecem no Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, 17 das 20 cidades mais violentas do país estão localizadas no Nordeste. Em contrapartida, as 20 cidades menos violentas concentram-se exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste.
Veja lista das 10 mais violentas:
• Maranguape (CE) - taxa de homicídio estimado de 87,2 por 100 mil habitantes
• Jequié (BA) - taxa de homicídio estimado de 79,4 por 100 mil habitantes
• Maracanaú (CE) - taxa de homicídio estimado de 74,1 por 100 mil habitantes
• Itapipoca (CE) - taxa de homicídio estimado de 74 por 100 mil habitantes
• Caucaia (CE) - taxa de homicídio estimado de 72,9 por 100 mil habitantes
• Juazeiro (BA) - taxa de homicídio estimado de 71,1 por 100 mil habitantes
• Feira de Santana (BA) - taxa de homicídio estimado de 67 por 100 mil habitantes
• Porto Seguro (BA) - taxa de homicídio estimado de 64,6 por 100 mil habitantes
• Simões Filho (BA) - taxa de homicídio estimado de 64 por 100 mil habitantes
• Camaçari (BA) - taxa de homicídio estimado de 62,9 por 100 mil habitantes
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