Menu
Menu
Busca segunda, 16 de março de 2026
Gov Rota Celulose Mar26 Capa
Brasil

Fiocruz aumenta liberação do Aedes com bactéria que reduz eficácia do mosquito

As ações de liberação do mosquito irão até o fim do próximo ano

29 agosto 2017 - 14h58Agência Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciou hoje (30), no Rio de Janeiro, uma nova fase de combate ao mosquito Aedes aegypti (transmissor de doenças como a dengue, zika e chinkungunya) com a liberação - pela primeira vez em grande escala - do mosquito transmissor da doença com a bactéria Wolbachia.

Ela reduz a proliferação e a eficácia da picada do mosquito. A iniciativa faz parte do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil (EDB), que amplia, gradativamente, a área de liberação dos mosquitos no Rio.

Nesta nova fase, foram beneficiados dez bairros da Ilha do Governador, entre os quais, o da Freguesia, da Ribeira, Zumbi, Monerá e Cacuia.

Posteriormente, o objetivo é abranger toda a Ilha, expandindo a ação para outras localidades, como o centro e bairros das zonas norte e sul da cidade.

As ações de liberação do mosquito irão até o fim do próximo ano, quando terão sido disponibilizados cerca de 2 milhões de mosquitos e beneficiados 2,5 milhões habitantes.

Ao falar da importância do projeto, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, disse que a ação está inserida em um contexto maior da Fiocruz de “eliminar doenças transmitidas pela Aedes aegypti, especificamente a dengue, a zika e a chikungunya”.

“O trabalho será acompanhado por profissionais, pesquisadores e epidemiologistas e a nossa expectativa é que resultados importantes comecem a aparecer a partir de 2020 a 2021, em decorrência das observações em projetos já realizados. Acho que vai ser um grande avanço no controle da doença em todo o país”, enfatizou.

Mensuração da eficácia só em 5 anos

Na avaliação do líder do programa Eliminar a Dengue: Desafio Brasil, o pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, somente entre três a cinco anos será possível avaliar realmente a dimensão e o impacto que a ação iniciada hoje trará para a população e até que ponto ela foi realmente beneficiada.

“Acredito que neste prazo poderemos realmente ter uma dimensão melhor do impacto que o projeto vai causar e os benefícios que ele trará para a população a ser abrangida pela iniciativa aqui no Rio de Janeiro”, disse.

Ele ressaltou, no entanto, a necessidade de que, para vencer o mosquito, a população também terá que participar do programa. “É muito importante que as pessoas tenham a consciência de que têm que fazer a sua parte. Cuidar dos quintais, eliminar criadores e não deixar recipientes com água para que o mosquito possa proliferar”, ensinou.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, ressaltou a importância da população. “Não podemos esquecer que a proliferação do mosquito está intimamente associada a questões sociais e ambientais e como lidamos com o ambiente, descartando objetos que podem se transformar em potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti”, afirmou

Simulado de campo

Para viabilizar a nova etapa do projeto, a Fiocruz colocou em funcionamento o Simulado de Campo, uma estrutura montada dentro da própria instituição com capacidade de produção em larga escala de Aedes aegypti com Wolbachia.

A finalidade é suprir a maior demanda por mosquitos na fase atual e aumentar a capacidade de produção de ovos, que atualmente é de 600 mil a cada semana. Com o simulado, a capacidade passará inicialmente para 1,6 milhão de ovos e alcançará um pico de 3 milhões.

A estrutura montada para maximizar a produção é única no país e poderá atingir 10 milhões de ovos de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Segundo o líder do projeto, Luciano Moreira, “os ovos serão utilizados para a liberação nas áreas de abrangência do Eliminar a Dengue, para a manutenção da nossa colônia e também para as pesquisas conduzidas pelas equipes de especialistas do projeto”.

No discurso em que anunciou o início da nova fase, a presidente da Fiocruz enfatizou a importância de novas iniciativas e de inovações tecnológicas como saída para o enfrentamento de doenças que afetam a saúde pública do país.

Para ela, o projeto “é uma clara demonstração de como a inovação tecnológica pode contribuir para a superação de graves problemas de saúde pública, como as doenças que têm o Aedes aegypti como transmissor”.

Como funciona o projeto

Segundo informações da Fiocruz, o programa é uma iniciativa internacional, sem fins lucrativos, visando oferecer uma alternativa sustentável e de baixo custo às autoridades de saúde das áreas afetadas pela dengue, zika e chikungunya, “sem qualquer gasto para a população”.

A sede do projeto mundial Eliminate Dengue: Our Challenge é na Universidade Monash, na Austrália. Os demais países em que a iniciativa está presente, em diferentes etapas, além do Brasil e da Austrália, são Colômbia, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietnã, Fiji, Vanuatu e Kiribati.

“O projeto propõe um método inovador capaz de reduzir a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya por meio da liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, promovendo uma substituição gradual da população de mosquitos em uma determinada área. Antes da liberação de mosquitos, a equipe de Engajamento e Comunicação do projeto vai a campo para interagir com a comunidade em busca da conscientização a respeito da importância da metodologia e da parceria com a população”, diz a fundação.

As informações da Fiocruz indicam que o programa teve início em 2014, por meio de um projeto realizado em Tubiacanga, na Ilha do Governador, e Jurujuba, em Niterói. No final de 2016, ação foi expandida e agora está presente em 27 bairros de Niterói e em dez bairros da Ilha do Governador.

No Brasil, o projeto é apoiado pelo Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis (Devit/SVS) e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (Decit/SCTIE), ambos do Ministério da Saúde, com contrapartida da Fiocruz.

Já o financiamento internacional inclui verba da Fundação Bill & Melinda Gates, via Universidade Monash (Austrália) e Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Reportar Erro
Unimed Seu Sim Muda Tudo - Mar26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Foto: Reprodução
Brasil
Medida Provisória para renovação automática de CNH é prorrogada
Ex-presidente, Jair Bolsonaro
Brasil
Defesa de Bolsonaro espera novo laudo médico para pedir domiciliar
Bilhete da Mega-Sena
Brasil
Sem acertadores, prêmio da Mega-Sena vai para R$ 105 milhões
Bolsonaro segue internado
Brasil
Bolsonaro melhora função renal, mas marcadores inflamatórios sobem
Bolsonaro é internado em UTI hospitalar com broncopneumonia bilateral
Brasil
Bolsonaro é internado em UTI hospitalar com broncopneumonia bilateral
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Brasil
Justiça Eleitoral alerta para golpe que usa nome do TSE em mensagens no WhatsApp
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) preside a reunião da CPMI
Brasil
Parlamentares começam a analisar dados de banqueiro investigado pela CPMI do INSS
Juiz aposentado é condenado a 24 anos de prisão por mandar matar colega no Espírito Santo
Justiça
Juiz aposentado é condenado a 24 anos de prisão por mandar matar colega no Espírito Santo
Ex-presidente, Jair Bolsonaro
Brasil
Ex-presidente passa mal e vai para hospital em Brasília
Ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, em sessão no STF / Foto: Rosinei Coutinho
Justiça
Moraes autoriza operação da PF contra jornalista e entidades de imprensa reagem

Mais Lidas

Corpo de Bombeiros iniciou as buscas pela vítima
Polícia
Pescador escorrega de barranco, cai no rio e desaparece em Rochedo
Jamile está internada na Santa Casa de Campo Grande
Polícia
Família pede doação de sangue para funcionária pública que perdeu a perna em atropelamento
Douglas Alves Mandu - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Justiça
Justiça concede medida protetiva a menina estuprada por pastor com cargo na prefeitura
Viatura do Batalhão de Choque na chegada a Cepol | Imagem ilustrativa
Polícia
Ataque a tiros em conveniência deixa um morto e três feridos no Vida Nova