Não é fácil fugir dos apelos consumistas de datas comerciais como o Dia das Crianças. Ao enchermos os pequenos de presentes novos e caros corremos o risco de torná-los materialistas. Isso acontece quando as crianças associam o consumo à felicidade e focam no ter e não no ser, avalia Isabella Henriques, diretora de Advocacy do Insitituto Alana.
"A formação de valores e de hábitos do ser humano se dá nessa fase da infância. Se a criança entende que comprar traz alegria, ela vai carregar o materialismo para a vida adulta. Vai acreditar que o dinheiro é o valor supremo da sociedade e que tudo vale a pena de ser feito em troca dele, deixando de lado os valores humanistas: solidariedade, compaixão, empatia.”
O principal presente de Dia das Crianças, acredita Isabella, é aproveitar que a data cai em um feriado e estar 100% disponível para os filhos. “O que realmente alimenta e satisfaz a criança não é o brinquedo. É a brincadeira criativa e, para isso, ela não precisa de um brinquedo novo. Ela precisa muito mais da presença e da atenção dos pais. Vamos trocar o presente pela presença", recomenda.
Já para a psicóloga Michelle Melhem, especialista em Terapia Sistêmica Familiar, o ato de presentear é uma atitude positiva como forma de celebrar e comemorar. Porém, deve ser compatível com a realidade financeira dos pais e condizente com o merecimento da criança. “Costumo dizer que o melhor pai e a melhor mãe, assim como o melhor presente, são aqueles que atendam à necessidade da criança, que nem sempre é de presente material ou comprado. Pode ser um passeio, um almoço em família, uma ida ao parque....”. De acordo com Michelle, o presente pode ser tudo o que for escolhido com atenção e amor para satisfazer a necessidade da criança e não apenas o seu desejo.
Troque brinquedos
A estratégia mais eficiente para tirar a criança desse ciclo de consumo é, para Isabella Henriques, a feira de troca de brinquedos. "Com a feira a criança entende que trocar é mais divertido que comprar. Ela compreende que o valor material dos brinquedos é diferente do valor estabelecido pelo marketing. Ela vê o brinquedo longe da publicidade e escolhe o que é melhor segundo a vontade dela, não por um desejo criado pela publicidade. Ela entende que o dinheiro não é a única forma de fazer com que a gente se sinta feliz. Ou seja, ela desconstrói todos aqueles conceitos consumistas e de uma forma lúdica, numa linguagem que ela entende".
Há feiras já organizadas em todo o país. E, se não houver uma prevista para a sua cidade, faça você mesmo. Pode ser realizada apenas entre os coleguinhas dos filhos, ou uma maior envolvendo crianças da escola ou do prédio, da rua, do bairro.
Faça um presente
Há diversas possibilidades surpreendentes de presentear as crianças, de acordo com a idade e com suas preferências. E o melhor: sem gastar muito. Aqui vão algumas sugestões: tanque de areia: pode ser feito em casa ou em alguma área livre, perto de casa. Também pode ser feito de pneu ou usando garrafas pet, piscina de plástico, caixas etc; labirinto, casinha, fogão, castelo, carro de caixas de papelão: dá um trabalinho, mas já pensou na alegria da criança ao abrir a porta do quarto e encontrar brinquedos assim? Cabaninha: existem variadas formas de fazer; balanço na árvore, entre outros.
Proporcione momentos felizes
Um passeio ao borboletário, ao museu, ao zoológico, planetário, ou algum lugar de preferência da criança pode ser mais divertido que um presente. Que tal assistir a um filme no Cine Drive In? Ou fazer uma noite de acampamento perto do lago, no quintal, até dentro de casa? Pode ser também um dia em um clube bacana, em um hotel fazenda. Você pode achar interessante fazer um evento solidário e levar as crianças para visitar um orfanato ou hospital e doar seus brinquedos em vez de ganhar. Ou deixe que as próprias crianças façam o roteiro do dia. O importante é que elas sintam que o dia é delas.
Esteja presente
Já é sabido o quanto é importante que as crianças tenham contato com a natureza (Se não, leia aqui: Vitamina N: contato com a natureza é essencial para o desenvolvimento das crianças). Mas passar momentos na natureza na companhia da família tem efeitos ainda mais notáveis. Uma pesquisa da Universidade de Illinois sugere que pequenos rituais familiares ao ar livre faz com que as pessoas vivam melhor. Longe de qualquer outra distração com eletrônicos, atividades, eventos, a família pode aproveitar o olho no olho, as conversas amigáveis, os sorrisos e as brincadeiras sem brinquedo. O foco estará unicamente no outro.
Outra sugestão é abrir a sua história de vida para as crianças: fazer uma fogueira com contação das aventuras da sua infância, resgatar álbuns antigos de fotografia, promover as brincadeiras favoritas da sua época de pequeno, tudo isso pode ter um valor grande para os pequenos que têm pouco tempo com os pais.
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