Hoje em dia, a internet tem capacidade de nos repassar informações de uma forma, com agilidade e quantidade, que nunca foi possível antes no mundo todo. Em uma rápida pesquisa no Google, descobrimos coisas sobre, literalmente, qualquer assunto do mundo. O site se tornou uma ferramenta muito utilizada para pesquisa também sobre quaisquer tipo de dúvidas rotineiras da população: desde perguntas do tipo "por que ainda sou solteira?" até frases que refletem muito bem a crise que vivemos hoje dentro da política brasileira.
Se digitarmos "Por que os políticos..." na caixa de pesquisa do site, as primeiras opções mais pesquisadas são "Por que os politicos mentem", "Por que os políticos mentem" e "por que os políticos são corruptos". E isto reflete muito sobre a nossa sociedade.

A falta de confiança nas intituições do Governo se mostra cada vez mais aparente no país e não é pra menos, já que podemos contar nos dedos o número de deputados que não estão com o nome envolvido em algum tipo de escândalo de corrupção como mostrou também a "Operação Lava Jato", considerada uma das maiores operações realizadas pela Polícia Federal no combate à tão temida corrupção. Segundo uma pesquisa do Ibope realizada em julho do ano passado, o ICS (Índice de Confiança Social), que mede a confiança dos brasileiros em 18 instituições e quatro grupos sociais, registrou que, em uma escala de 0 a 100, sendo que 100 é o índice máximo de confiança, os Partidos Políticos, por exemplo, estão no ranking com apenas 17 pontos.
Mas esta falta de "fé" em nossos representantes acaba por trazer muito pouco benefício se não estiver aliada à ações que visam uma mudança estrutural dentro de nosso sistema político. O professor de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Sérgio Martins, acredita que nossa confiança em nossas próprias instituições deve ser restaurada para que possamos ter êxito em nossos objetivos para o país como um todo. "Hoje em dia, esta restauração da confiança se mostra necessária para podermos ter estabilidade", diz. E isso não quer dizer que devemos aceitar ou nos calar diante da corrupção, mas sim evitar adotar uma atitude de "nada vai mudar" e nos fazer refletir acerca de nossas obrigações enquanto cidadãos: será mesmo que nada pode mudar?
"Não acredito que seja apenas na minha escolha...A mudança tem que partir de uma reforma íntima também", são as palavras de Alexandre Kenji, músico e estudante universitário, ao ser questionado sobre qual o significado de um voto consciente nas eleições. Segundo ele, por mais que ele vá escolher representantes que representem seus interesses enquanto cidadão, a mudança ainda tem de ser maior pois o seu voto "não significa que trará uma situação melhor", alegou. Diante de situações como a que vive o Brasil, onde a crise política, econômica e cultural paira no ar, o que podemos fazer para mudar a situação, então? A melhor resposta ainda está em adquirir uma consciência política enquanto nação, já que individualmente nada podemos modificar. E como fazer isso?
Segundo a cientista política Rachael Meneguello, professora da Unicamp, a desconfiança política é um fenômeno associado à percepção da ausência de representação, da resposta ineficaz das instituições às demandas da população", disse. Nos sentirmos representados é o básico para o funcionamento adequado de uma verdadeira democracia.
Talvez devamos começar a reconhecer a importância de se debater política dentro dos espaços que estamos. Em casa, na universidade, no trabalho. Em junho de 2013, o povo brasileiro mostrou que devemos parar de achar que brasileiro não se importa com política. As manifestações deste ano que vão desde o grito de milhares a favor do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff até a militância dos que são contra o que chamam de "golpe" nos mostram que chegamos a um ponto onde se não pensarmos sobre a nossa situação, de fato nunca mudaremos nada.
Segundo a professora, "as instituições políticas são os intermediários entre os cidadãos e o Estado, elas conferem as garantias de direitos e procedimentos e é a percepção de que de fato elas se desempenham nessa direção é o que garante o compromisso de cooperação dos cidadãos com o regime", disse em entrevista ao Jornal da Unicamp. Então, mesmo que protestemos contra "tudo isso que está aí" devemos nos engajar de forma organizada para conseguirmos uma mudança estrutural nas tão importantes instituições. Pensarmos sobre o que estamos protestando, viabilizar opções e discutir a política são os primeiros passos para a transformação.
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