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Economia

Aumento do salário mínimo deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia em 2026

O reajuste para R$ 1.621 beneficia cerca de 62 milhões de brasileiros, aponta Dieese

22 dezembro 2025 - 14h51Sarah Chaves

O reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 em 2026, previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro, vai muito além de um simples aumento no valor pago aos trabalhadores que recebem o piso nacional. De acordo com nota técnica divulgada nesta segunda-feira (22) pelo Dieese, a medida terá impacto direto na renda de quase 62 milhões de brasileiros e deve injetar R$ 81,7 bilhões adicionais na economia ao longo do próximo ano. 

O novo valor representa um reajuste nominal de 6,79% em relação ao salário atual, resultado da política permanente de valorização do salário mínimo retomada em 2023. O cálculo considera a inflação medida pelo INPC, que acumulou alta de 4,18% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, somada a um ganho real de 2,5%, limitado pelo novo arcabouço fiscal. Caso ainda estivesse em vigor a regra antiga, que permitia repassar integralmente o crescimento do PIB, o mínimo chegaria a R$ 1.636, R$ 15 a mais do que o valor definido.

Segundo o Dieese, o salário mínimo serve como referência direta ou indireta para trabalhadores com carteira assinada, informais, domésticos, beneficiários do INSS, do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e do abono salarial. Do total de recursos adicionais que circularão na economia, cerca de R$ 39,2 bilhões correspondem a benefícios previdenciários, R$ 23,6 bilhões a empregados formais e mais de R$ 13 bilhões a trabalhadores por conta própria.

O estudo também chama atenção para o efeito do reajuste sobre o poder de compra. Em São Paulo, usado como referência, o salário mínimo passará a comprar o equivalente a 1,93 cesta básica em janeiro de 2026, o melhor resultado desde 2019. Em 2025, essa relação era de 1,75 cesta. A melhora ocorre após anos de perda ou estagnação, especialmente no período entre 2019 e 2022, quando os reajustes ficaram restritos à reposição da inflação, enquanto os preços dos alimentos subiram acima da média.

Do ponto de vista das contas públicas, o impacto mais significativo recai sobre a Previdência Social. Cada aumento de R$ 1 no salário mínimo gera um custo adicional estimado em R$ 380,5 milhões por ano na folha de benefícios. Com o reajuste de R$ 103, o gasto extra anual deve alcançar cerca de R$ 39,1 bilhões. Ainda assim, o Dieese destaca que parte relevante desse valor retorna ao Estado na forma de impostos, impulsionados pelo aumento do consumo das famílias de baixa renda.

No setor público, o efeito é desigual. Enquanto menos de 1% dos servidores federais recebem até um salário mínimo, nos municípios esse percentual ultrapassa 10%, com maior concentração nas regiões Nordeste e Norte. Nessas localidades, o reajuste tem peso maior sobre a folha de pagamento, sobretudo nas administrações municipais.

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