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Economia

Com 25% de desemprego, espanhóis vêem 'oásis' no Brasil

20 novembro 2012 - 10h37AP

Com um crescimento econômico de 2,7% em 2011 e previsão de 1,6% para este ano, o Brasil é atualmente o sonho de espanhóis que tentam fugir de mais um ano de recessão. A crise na Espanha vem acompanhada de reajustes e medidas de austeridade com o objetivo de controlar o déficit público e conseguir um financiamento, segundo presidente Mariano Rajoy, a preços razoáveis.

Já para a presidente Dilma Rousseff, o crescimento só ocorre se atrelado a investimento e diminuição de impostos, justamente o contrário do que do governo do Partido Popular vem aplicando. "Não tenho a pretensão de dar receitas para a Espanha, mas falo dos erros do passado do meu país com os quais aprendemos. É muito difícil sair da crise sem um mínimo de crescimento", explica.

Com uma taxa de cerca de 6% de desemprego, o Brasil é um "oásis" para os 25% de espanhóis que não têm trabalho. Esta taxa do país ibérico - a maior de toda a Europa - corresponde a 5 milhões de pessoas de todos os perfis. São pequenos empresários que perderam seus negócios, outros que estão perto da aposentadoria, aqueles em pleno desenvolvimento familiar ou, em maioria, jovens recém-formados sem esperanças. Com diferentes idades são, na maioria, mão de obra qualificada sem perspectiva de emprego fixo a curto prazo.

O Brasil, por outro lado, demanda talentos para os investimentos previstos em infraestrutura e energia, como o trem de alta velocidade entre Rio e São Paulo, cujo edital será divulgado em novembro com licitação em julho de 2013. "Nós não trabalhamos para a Copa do Mundo ou para as Olimpíadas. Nós temos um projeto de país e o trem é, sem dúvida, de interesse público" afirma Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

Segundo Figueiredo, desde 2004 o Brasil retirou dinheiro que seria destinado ao FMI para investir, projeto que continuou com o PAC e com as parcerias público privadas. Este plano de desenvolvimento é o que, segundo a presidente, permitiu que o Brasil chegasse aos patamares atuais de crescimento, modesto, mas ainda melhor que os índices ibéricos.

E é na deficiência brasileira de infraestrutura, e no investimento que se concede a esta área atualmente, que pode se encaixar outro perfil de espanhol. Aquele que entra em grupos das redes sociais em que discutem e divulgam vagas no Brasil e que, sem saber como obter visto, sem falar português e sem nem mesmo conhecer o custo de vida no país latino americano, se propõem a mudar de continente em busca do país da moda.

Os trabalhadores espanhóis querem ir para o Brasil e nosso país demanda mão de obra. As autoridades sabem disso. Mariano Rajoy e o rei Juan Carlos I não deixaram de citar o tema em seus discursos. "As empresas espanholas querem ir para o Brasil e nós queremos que elas cheguem lá (...) acreditamos que podemos ajudar com experiência e conhecimento", disse Rajoy. "Estamos prestando especial atenção à internacionalização de nossas empresas, tanto das grandes, como pequenas e médias. E também animamos as empresas brasileiras a investir na Espanha", completou o rei, mais tarde.

Mais que uma troca, a palavra do dia foi parceria. Entre empresas, governos e cidadãos, os dois presidentes deixaram claro que o mais importante é o intercâmbio de conhecimento e mão de obra.

O ministro da educação Aloizio Mercadante vai além e recorda o passado: "nosso interesse é ter uma relação de longo prazo, é fortalecer as pesquisas na Espanha e não roubar talentos. Já levaram os nossos no passado, quando estávamos em crise, e não queremos isso para ninguém", explica.

"O país está aqui, mas o valor está lá". É com esta frase que Santiago Fernandéz Valbuena, presidente da Telefônica, define o Brasil durante o seminário "Brasil no caminho do crescimento", em referência aos dois jornais patrocinadores: El País e Valor Econômico. Sem dúvida, o Brasil está no centro das atenções de países como a Espanha quando o assunto é crescimento.

Via Terra

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