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Educação

Alunos de medicina da UNIDERP acionam Ministério Público em busca de melhorias

A situação ocorre após a universidade receber nota baixa no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), e o grupo detalha deficiências na instituição

16 fevereiro 2026 - 17h18Vinícius Santos     atualizado em 16/02/2026 às 17h18

Alunos do curso de Medicina da Universidade Anhanguera UNIDERP, em Campo Grande, acionaram o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) diante do resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, em que a instituição recebeu conceito 2.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), conceito 2 indica que menos de 60% dos estudantes apresentaram desempenho considerado adequado, situando a universidade nas faixas 1 e 2 do exame. 

Com isso, a UNIDERP deve passar por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do Ministério da Educação. Em manifestação ao Ministério Público, os acadêmicos ressaltam que suas reivindicações não são recentes. 

Há anos, eles apresentam solicitações e denúncias formais sobre áreas deficitárias do curso, incluindo conservação e manutenção de salas, laboratórios, ambientes de prática e condições de estudo, além de questões pedagógicas, como planejamento de disciplinas, coerência curricular, oferta e qualidade de cenários de prática, preceptoria, processos avaliativos, acompanhamento acadêmico e organização de estágios.

"Essas reclamações não são opinião nem retórica. São fruto da ação de alunos comprometidos com a formação médica e com a responsabilidade social que a profissão exige", destacam os estudantes.

Eles apontam ainda que a universidade exige um investimento financeiro elevado de estudantes e famílias, o que cria uma obrigação institucional proporcional: oferecer formação médica sólida, infraestrutura adequada, professores e preceptores valorizados, cenários de prática suficientes e projeto pedagógico que garanta competência clínica, ética e científica.

O grupo de estudantes solicita à universidade:

  1.  - Posicionamento oficial público sobre o resultado do Enamed, reconhecendo o impacto acadêmico e social;

  2. - Plano de ação institucional com metas, prazos e responsáveis, contemplando revisão do projeto pedagógico, fortalecimento do ensino clínico, ampliação e qualificação de cenários de prática e estágios, melhorias em laboratórios e bibliotecas, valorização do corpo docente, políticas de acompanhamento acadêmico e transparência nos processos avaliativos;

  3. - Criação de comissão permanente de melhoria da formação médica, com participação paritária de estudantes, docentes, preceptores, coordenação e direção;

  4. - Canal institucional protegido para denúncias e sugestões, com respostas obrigatórias e prazos definidos;

  5. - Relatórios semestrais de acompanhamento, divulgados à comunidade acadêmica.

Os estudantes reforçam que o manifesto não é contra a universidade, mas em defesa do curso, do corpo discente e da população que será atendida pelos futuros médicos. "Queremos formar profissionais competentes, éticos, humanos e tecnicamente preparados... Quem ama a medicina não aceita mediocridade; quem respeita o paciente não negocia competência", afirmam.

Além disso, destacam que, nos últimos dois anos, a universidade ampliou rapidamente o número de polos no estado, sem que esse crescimento fosse acompanhado de investimentos necessários em infraestrutura, especialmente na matriz de Campo Grande, que permanece sem melhorias significativas, mesmo com aumento expressivo de alunos. Os reajustes anuais das mensalidades, frequentemente considerados abusivos, também são criticados.

Outro ponto destacado pelos alunos ao Ministério Público refere-se ao internato, que se apresenta como uma incógnita na formação médica. Entre as principais preocupações estão a real capacidade das instituições e hospitais conveniados em oferecer vagas suficientes para um internato de qualidade, além da demora no início ou reinício dessa etapa, especialmente quando comparada a outras faculdades, públicas ou privadas, que iniciam suas atividades, no máximo, até a terceira semana de janeiro. Os acadêmicos consideram esse período "o ponto mais crítico" do curso.

Os alunos afirmam profundo descontentamento, frustração e insegurança em relação à formação oferecida. O caso está sob análise da Promotoria de Justiça da Comarca de Campo Grande e aguarda providências do MPMS.

Outro Lado - A reportagem entrou em contato com a Universidade Anhanguera UNIDERP solicitando posicionamento oficial sobre os questionamentos dos estudantes e sobre as medidas previstas diante do resultado do Enamed. Até o momento, não houve retorno, e o espaço permanece aberto para manifestações da instituição.

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