Falsa advogada indigenista, de 45 anos, presa na operação “Raposa Kaiowá” deflagrada pela Polícia Federal (PF), responderá por estelionato e falsidade ideológica. A prisão aconteceu na manhã dessa quarta-feira (14) em Ponta Porã - a 323 km de Campo Grande. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Felipe Viana de Menezes, a criminosa agia em pelo menos oito cidades de Mato Grosso do Sul.
Menezes revelou que a falsa advogada era investigada há um ano, e tudo começou quando o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) constatou adulteração na idade de uma beneficiária à aposentadoria. “Conforme o INSS, a pessoa que aposentou não tinha idade para receber o benefício, a partir disso começamos as investigações”, revelou o delegado.
Viana explicou ainda que, além dessa falsificação, havia também nove boletins de ocorrência contra a estelionatária. “Ela se aproximava dos índios e dizia que era advogada, eles acreditavam. Então ela pegava os documentos dos índios para fazer os empréstimos consignados, porém o índio não via a cor do dinheiro”, explicou Viana.
A falsa advogada também fabricava documentos de índios que já haviam falecidos e não tinham registro de óbito. Tudo isso para pegar empréstimos e burlar a previdência.
A mulher agiu em 8 cidades de MS
“Ela começou por volta de 2012. A falsa advogada agiu em várias cidades como Bonito, Bodoquena, Aquidauana. Em 2013 a estelionatária veio para Ponta Porã, onde também continuou com o seu trabalho de estelionato”, disse o delegado.
“Índios de Amambai, Bela Vista, Paranhos e Aral Moreira também foram vítimas da mulher. Ela está presa e vai reponder por estelionato e falsidade ideólogica, acrescentou.
Conforme Felipe Viana, a estelionatária está presa preventivamente. A polícia não tem como dizer ao certo quantas pessoas foram vítimas, além das que fizeram a denúncia. Pois o delegado explica que muitos não denunciaram a criminosa.
A mulher, se condenada, responderá por cada estelionato, que requer pena de 1 a 5 anos de prisão. No caso de burlar o INSS, a pena tem um acréscimo de 1/3.
Raposa Kaiowá
A Operação foi denominada “Raposa Kaiowá”, em alusão à característica traiçoeira e oportunista das raposas na captura de suas vítimas, a qual se assemelha à usada pela falsa advogada com indígenas.
O nome também remete à Operação Coiote Kaiowá, deflagrada pela PF em 2015, no município de Amambai, e que tinha como alvo esquema de fraudes previdenciárias de natureza similar.
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