O maior ataque a tiros na Austrália em quase três décadas deixou ao menos 12 mortos e 29 feridos durante uma celebração judaica na praia de Bondi, em Sydney, neste domingo (14). O evento marcava o primeiro dia do Hanukkah quando homens armados abriram fogo contra centenas de pessoas que ocupavam um dos pontos turísticos mais movimentados do país.
A polícia de Nova Gales do Sul informou que dois suspeitos foram detidos e que um terceiro pode ter participado do atentado. A emissora ABC noticiou que um dos atiradores morreu após confronto. As autoridades tratam o episódio como terrorismo. Segundo o chefe da inteligência australiana, Mike Burgess, um dos suspeitos era conhecido dos serviços de segurança, mas não era considerado ameaça imediata. Pelo menos um cidadão israelense está entre os mortos.
A região foi isolada, e equipes antibombas localizaram um artefato explosivo dentro de um carro abandonado, removido posteriormente. Imagens que circularam nas redes sociais mostram pânico generalizado, com banhistas e turistas correndo enquanto tiros ecoavam pela orla. Em um dos vídeos, um civil imobiliza um atirador e toma sua arma; outro é visto disparando de uma passarela antes de ser neutralizado pelas forças de segurança.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, classificou o ataque como brutal e profundamente doloroso. "Foi um ataque direcionado contra judeus australianos no primeiro dia do Hanukkah, que deveria ser um dia de alegria, uma celebração da fé. Um ato de maldade, antissemitismo e terrorismo que assola o coração de nossa nação", afirmou.
A fala ocorreu em meio a críticas de opositores e do governo israelense, que acusam a administração australiana de tolerância com atos antissemitas, especialmente após o reconhecimento do Estado da Palestina em setembro do ano passado. O presidente israelense, Isaac Herzog, disse que “terroristas vis” atacaram fiéis que acendiam a primeira vela do Hanukkah, enquanto o chanceler Gideon Saar afirmou que o atentado reflete a escalada do antissemitismo no país.
Testemunhas descreveram cenas de horror. “Vi pelo menos dez pessoas no chão e sangue por toda parte”, relatou Harry Wilson, morador de Sydney. O ataque acontece quase 11 anos após a tomada de reféns no Lindt Café e é o pior do gênero desde o massacre de Port Arthur, em 1996, que deixou 35 mortos e levou à adoção de rígidas leis de controle de armas na Austrália.
O atentado reforça a preocupação global com o crescimento de atos antissemitas e islamofóbicos desde o início da guerra em Gaza, em 2023.
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Um membro do Esquadrão de Choque da Polícia atende a ocorrência no local (Darrian Traynor/Getty Images)


