Em conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder chinês, Xi Jinping, disse que seu país apoia a maior economia da América Latina e o Sul Global e pediu que ambas mantenham o papel das Nações Unidas.
A conversa entre os dois líderes foi divulgada pela agência de notícias estatal da China, a Xinhua, na madrugada desta sexta-feira (23) e se deu após as críticas de Lula ao ataque dos Estados Unidos (EUA) à Venezuela, em artigo publicado no New York Times desta semana.
Segundo a Xinhua, Xi afirmou a Lula que a China e o Brasil devem salvaguardar os interesses comuns do Sul Global e manter conjuntamente o papel das Nações Unidas na “atual situação internacional turbulenta”.
As declarações foram feitas semanas depois que o governo norte-americano prendeu o presidente venezuelano Nicolás Maduro para ser julgado nos EUA por acusações relacionadas a tráfico de drogas. A ação levou Caracas a uma situação de incerteza política.
América Latina - A ação dos Estados Unidos na Venezuela gerou preocupações entre os países latino-americanos quanto ao risco de intervenções armadas semelhantes em seu território e provocou críticas da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em entrevista ao programa Today, da BBC Rádio 4, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, disse que os EUA estavam agindo com impunidade e os princípios fundadores das Nações Unidas, incluindo a igualdade entre os Estados-membros, estavam sob ameaça.
Em artigo publicado em 18 de janeiro no New York Times, Lula escreveu que o futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve permanecer nas mãos do seu povo.
"Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora as forças americanas já tenham intervindo anteriormente na região", afirmou.
"É fundamental que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências possam ser, elas não podem depender simplesmente do medo e da coerção."
Ameaça na Groenlândia - Outra ameaça de Trump, de usar a força para obter a Groenlândia, um território autônomo independente da Dinamarca, também afetou as relações com os aliados de segurança do outro lado do Atlântico.
Os bombardeios na Venezuela e o indiciamento de Maduro também desafiam a influência da China na América Latina e no Caribe, onde Xi prometeu novas linhas de crédito e mais investimentos em infraestrutura.
"A China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe", disse Xi a Lula.
Segundo o líder chinês, a parceria estratégica firmada em 2024 para alinhar a iniciativa do Cinturão e Rota (BRI na sigla em inglês) da China com os planos do Brasil em agricultura, infraestrutura e transição energética exemplifica a solidariedade e a cooperação entre os países do Sul Global.
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Presidentes da China e do Brasil (Ricardo Stuckert/PR)



