Uma mulher foi condenada por estelionato continuado pela 2ª Vara Criminal de Campo Grande após aplicar golpes durante quase três anos e causar prejuízo superior a R$ 412 mil a uma das vítimas. A sentença foi proferida pelo juiz Deyvis Ecco.
Segundo a decisão, a ré criou histórias falsas sobre inventários, doenças graves, mortes e até crianças inexistentes para sensibilizar pessoas que a acolheram como integrante da família. Com base em narrativas dramáticas, ela solicitava dinheiro em espécie de forma recorrente, chegando a se passar por uma criança em mensagens e a simular um funeral para obter valores.
A investigação apontou que a acusada utilizava documentos falsos, entre eles um carimbo médico, para dar credibilidade aos pedidos sob alegação de tratamentos urgentes. Em depoimento policial, ela confessou que estruturava os relatos com base no livro “A Câmara de Gás” e admitiu viver do chamado “conto da desgraça”.
De acordo com os autos, uma das vítimas repassou mais de R$ 412 mil à ré e precisou vender um imóvel para quitar empréstimos feitos em favor dela. Laudos periciais, documentos bancários e testemunhos confirmaram os repasses e a dinâmica do esquema.
Na sentença, o magistrado considerou a conduta especialmente grave por envolver manipulação emocional contínua e elevado prejuízo financeiro. A ré foi condenada a 4 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 258 dias-multa, sem substituição por penas restritivas de direitos.
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