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Justiça

Ramagem nega monitoramento ilegal em depoimento ao STF

O ex-diretor da Abin prestou esclarecimentos após retomada de ação penal

06 fevereiro 2026 - 12h51Sarah Chaves

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem prestou depoimento nesta quinta-feira (5) após a retomada da ação penal que responde no Supremo Tribunal Federal. Investigado por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado, ele negou qualquer monitoramento ilegal de autoridades durante o período em que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O depoimento foi colhido por juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. A oitiva durou cerca de 45 minutos e contou com questionamentos da Procuradoria-Geral da República e da defesa do ex-parlamentar.

Ramagem afirmou que nunca utilizou nem determinou o uso do sistema de geolocalização israelense First Mile para fins ilegais e disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro jamais solicitou qualquer ação relacionada a monitoramento. Segundo ele, o contrato com a ferramenta foi encerrado ainda em 2021 e encaminhado para apuração interna.

A ação penal havia sido suspensa enquanto Ramagem exercia mandato parlamentar, por envolver crimes relacionados a fatos posteriores à sua diplomação como deputado federal. Com a perda do mandato, declarada no fim do ano passado, o processo foi retomado pelo STF.

Durante o depoimento, o ex-diretor da Abin classificou as acusações como falsas e afirmou não ter participado de reuniões, planos ou articulações voltadas à ruptura institucional. Ele também declarou que seu nome não aparece na delação do tenente-coronel Mauro Cid, apontado como colaborador das investigações sobre a organização criminosa.

Ramagem negou ainda ter tido acesso direto ao sistema First Mile e disse que nenhum servidor sob sua gestão estava autorizado a utilizá-lo. Segundo ele, havia suspeita de uso irregular da ferramenta por agentes para fins privados, o que estaria sendo investigado internamente à época.

O ex-deputado exerceu o direito ao silêncio em parte do depoimento e afirmou que não estava no Brasil durante os atos de 8 de janeiro de 2023, negando qualquer participação ou auxílio às ações criminosas

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