Menu
Menu
Busca quarta, 18 de março de 2026
Gov Rota Celulose Mar26 Capa
Justiça

STJ rejeita pedido de anulação de júri por firmeza do juiz nos interrogatórios

Defesa não conseguiu anular julgamento que condenou réu por homicídio e aborto por terceiro

18 outubro 2023 - 11h32Vinícius Santos

A adoção de uma postura mais firme e incisiva por parte do juiz presidente do tribunal do júri, durante os interrogatórios, não configura hipótese de suspeição. Para a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a alegação é insuficiente para anular o julgamento sem que haja demonstração de eventual prejuízo – ainda mais quando a defesa nem sequer cogitou de influência do magistrado sobre a posição dos jurados, pois são eles que analisam o mérito da causa, e não o presidente da sessão.

Com esse entendimento, o colegiado negou o pedido da defesa para anular a sessão do júri que condenou um réu por homicídio qualificado e aborto provocado por terceiro.

"A alegada suspeição do juiz togado parece até ser, in casu, desinfluente para a solução da controvérsia, porque o magistrado presidente não tem competência constitucional para julgar os crimes dolosos contra a vida. Em outras palavras, também não há como reconhecer o alegado vício porque o mérito da causa não foi analisado pelo juiz de direito, mas pelos jurados", explicou a ministra Laurita Vaz, relatora do habeas corpus.

Na origem do caso, a Defensoria Pública alegou que o presidente do júri não conduziu o rito de forma imparcial ao inquirir as testemunhas e o acusado. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), entretanto, não reconheceu a alegada parcialidade do magistrado, o que levou a Defensoria a impetrar habeas corpus no STJ, pedindo um novo julgamento.

Questionamentos incisivos feitos às testemunhas

Após analisar os fatos descritos no processo, Laurita Vaz apontou que a defesa, na petição do habeas corpus, não fez nenhuma referência a eventual influência negativa que pudesse ter sido causada no conselho de sentença pela forma como o juiz inquiriu as testemunhas.

"Dessa forma, incide na espécie a regra prevista no artigo 563 do Código de Processo Penal (CPP) – a positivação do dogma fundamental da disciplina das nulidades –, de que o reconhecimento de vício que enseja a anulação de ato processual exige a efetiva demonstração de prejuízo (pas de nullité sans grief)", disse a relatora.

De acordo com a ministra, os questionamentos feitos pelo magistrado a uma das testemunhas – apontados pela defesa como suposta evidência de parcialidade – tiveram relação com a causa e objetivaram saber quem dava início às agressões mútuas entre a vítima e o réu. "Por isso, ainda que se possa conjecturar que o juiz de direito tenha sido incisivo em seus questionamentos, não há como concluir que atuou na condução do feito de forma parcial", observou.

Hipóteses de suspeição do CPP não foram demonstradas

Segundo Laurita Vaz, não é possível considerar que tão somente uma postura mais firme do magistrado seja capaz de influenciar a opinião dos jurados, quando a própria Constituição Federal pressupôs a sua plena capacidade de discernimento ao disciplinar o tribunal do júri.

Para ela, não tendo sido demonstrada a ocorrência de nenhuma das hipóteses de suspeição previstas do artigo 254 do CPP, "não há nulidade a ser reconhecida".

"Por todos esses fundamentos, e em homenagem ao princípio da soberania dos veredictos do tribunal do júri, a hipótese não é de afastamento da conclusão do conselho de sentença, possível somente em circunstâncias excepcionais", concluiu a relatora.

Leia o acórdão no HC 682.181.

(*) Com informações do STJ

JD1 No Celular

Tenha em seu celular o aplicativo do JD1 e acompanhe em tempo real todas as notícias. Para baixar no IOS, clique aqui. E aqui para Android.

Reportar Erro
Unimed Seu Sim Muda Tudo - Mar26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Fábio Luís Lula da Silva
Justiça
PF compartilhou com o STF receio de fuga de Lulinha do Brasil
TJMS aumenta pena de homem que matou cachorra da ex-companheira em Campo Grande
Justiça
TJMS aumenta pena de homem que matou cachorra da ex-companheira em Campo Grande
Christian e Stephanie são réus pela morte de Sophia
Justiça
Pena de Christian sobe e mãe de Sophia é apontada como culpada, mas tem pena reduzida
Local do Crime -
Justiça
Justiça barra recurso e acusado de tentativa de feminicídio vai a júri em Campo Grande
Ministro André Mendonça
Justiça
Mendonça proíbe CPMI do INSS de acessar dados de Vorcaro em sala-cofre
Desembargador Ary Raghiant Neto
Justiça
Saída de desembargador levanta debate sobre valorização da magistratura
Menina sofria violência sexual -
Interior
Tio-avô é condenado a mais de 16 anos de prisão por estupro de menina em Batayporã
Foto: TJMS
Justiça
Confira os bairros que recebem os serviços gratuitos da Justiça Itinerante nesta semana
Domingos Brazão
Justiça
Moraes autoriza transferência de condenados no caso Marielle para RJ
Três magistrados disputam no TJMS vaga de desembargador deixada por Djailson de Souza
Justiça
Três magistrados disputam no TJMS vaga de desembargador deixada por Djailson de Souza

Mais Lidas

Corpo de Bombeiros iniciou as buscas pela vítima
Polícia
Pescador escorrega de barranco, cai no rio e desaparece em Rochedo
Viatura do Batalhão de Choque na chegada a Cepol | Imagem ilustrativa
Polícia
Ataque a tiros em conveniência deixa um morto e três feridos no Vida Nova
Momento do crime - Foto: Arte / JD1
Polícia
Vídeo mostra execução a tiros e correria generalizada em adega lotada no Jd. Vida Nova
Marcas no corpo da criança - Foto:WhatsApp / JD1
Polícia
Criança é surrada pelo próprio pai; mãe busca proteção na Polícia Civil em Campo Grande