Menu
Menu
Busca sexta, 15 de maio de 2026
Camara CG Maio26
Opinião

Opinião: A bancada feminina à luz dos fatos

Não temos voto, mas nossa voz não deixou de ser ouvida, apesar das dificuldades

06 julho 2021 - 09h39Simone Tebet    atualizado em 06/07/2021 às 10h41

A CPI da Pandemia avança a passos largos. Passamos do campo dos discursos, das versões, das crenças, para um cenário mais turvo. Os caminhos indicam para um “propinoduto” das vacinas.

Desde o início dos trabalhos da CPI, a Bancada Feminina marca presença com o seu próprio timbre. Não temos voto, mas nossa voz não deixou de ser ouvida, apesar das dificuldades. E fazemos diferença.

Os malefícios de um negacionismo que insuflou a disseminação de desinformações, como a de que a imunidade de rebanho promoveria a retomada da normalidade, já estão mais do que constatados. Medidas simples e baratas, como o uso de máscaras, voltam, a todo instante, a ser questionadas. Distanciamento social e ações mais duras para reduzir a circulação de pessoas, quando não havia mais vagas em UTIs, foram - e ainda são - duramente criticadas. Isso tudo em um cenário cujo mantra de alguns continua sendo o de relativizar a dor de milhares de famílias que perderam seus entes mais queridos. 

Sabemos que o governo conta com um gabinete oficial, um gabinete paralelo, um gabinete do ódio e, agora, há fortes suspeitas de que há, também, um gabinete da propina.

Os indícios estão se transformando em provas. A tentativa de transformar uma crise humanitária em negociatas de gabinetes, como uma forma fácil de ganhar dinheiro, ainda que a custo da perda de vidas humanas, é revoltante. 

Estamos numa nova fase da CPI. A comoção deu lugar à indignação. Transformar esse sentimento em ações concretas faz parte do meu exercício diário de arregaçar as mangas. Acompanho todas as notícias, analiso documentos, busco conexões em meio a tantas pontas ainda soltas.

Temos conseguido avanços, ao extrair dos depoentes informações importantes para o andamento dos trabalhos. Foi assim quando o deputado Luís Miranda citou o líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros, como um dos pivôs das negociatas. Também foi assim quando o intermediário de vacinas, Luiz Paulo Dominguetti, assumiu, durante minha interpelação, não saber a origem do áudio que ele jogou como uma granada sem pino sobre a CPI, para desmoralizar o deputado Miranda, na sua denúncia contra o Executivo. Afinal, qual era o papel de Dominguetti? Foi, no mínimo, estranho, quem denunciava pedido de propina no contrato com a AstraZeneca passar a ser defendido pelos próprios governistas. Seria ele um “bode na sala”?

Estamos falando de denúncias relacionadas a contratos duvidosos, relativos a três vacinas: Covaxin, AstraZeneca e Cansino. Essa última, depois de revelações conflituosas, foi deixada de lado pelo Governo, o que não significa ter fechado a caixinha da propina. A investigação tem de avançar sobre possíveis esquemas de corrupção. Certamente, as senadoras marcarão presença nos próximos capítulos da CPI.    

*Simone Tebet é Líder da Bancada Feminina do Senado Federal
 

Reportar Erro
Energisa Michel - Maio26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Foto: TJMS
Opinião
Justiça Itinerante: Confira os bairros que terão os serviços nesta semana
Bosco Martins, escritor e jornalista
Opinião
OPINIÃO: A Engenharia Financeira do BRB: Imóveis, Poder e Cumplicidade
Vinícius Monteiro Paiva, advogado especialista em Direito Eleitoral
Opinião
A nova engenharia das sobras eleitorais e seus reflexos nas eleições de 2026
Foto: Jônatas Bis
Opinião
O caos no show do Guns N' Roses e a crise silenciosa no transporte urbano de Campo Grande
Advogada Ana Tereza Basilio - Foto: Flavia Freitas
Opinião
Criminalizar jornalistas é erro jurídico e ameaça à democracia, diz presidente da OAB-RJ

Mais Lidas

Família de criança que morreu atropelada pede ajuda para velório na Capital
Polícia
Família de criança que morreu atropelada pede ajuda para velório na Capital
Carreta no local do acidente
Polícia
Criança que morreu atropelada tentava pegar 'rabeira' da carreta quando foi atingida
Lucas Adriano Caniza Santos, o "Lucão" - Foto: Reprodução
Polícia
'Crime não impera', diz comandante do BOPE após morte de líder do CV em Sonora
Dinheiro - Foto: Getty Images / BBC
Justiça
Devedores terão contas bloqueadas mais rápido após acordo entre CNJ e bancos