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Opinião: A bancada feminina à luz dos fatos

Não temos voto, mas nossa voz não deixou de ser ouvida, apesar das dificuldades

06 julho 2021 - 09h39Simone Tebet

A CPI da Pandemia avança a passos largos. Passamos do campo dos discursos, das versões, das crenças, para um cenário mais turvo. Os caminhos indicam para um “propinoduto” das vacinas.

Desde o início dos trabalhos da CPI, a Bancada Feminina marca presença com o seu próprio timbre. Não temos voto, mas nossa voz não deixou de ser ouvida, apesar das dificuldades. E fazemos diferença.

Os malefícios de um negacionismo que insuflou a disseminação de desinformações, como a de que a imunidade de rebanho promoveria a retomada da normalidade, já estão mais do que constatados. Medidas simples e baratas, como o uso de máscaras, voltam, a todo instante, a ser questionadas. Distanciamento social e ações mais duras para reduzir a circulação de pessoas, quando não havia mais vagas em UTIs, foram - e ainda são - duramente criticadas. Isso tudo em um cenário cujo mantra de alguns continua sendo o de relativizar a dor de milhares de famílias que perderam seus entes mais queridos. 

Sabemos que o governo conta com um gabinete oficial, um gabinete paralelo, um gabinete do ódio e, agora, há fortes suspeitas de que há, também, um gabinete da propina.

Os indícios estão se transformando em provas. A tentativa de transformar uma crise humanitária em negociatas de gabinetes, como uma forma fácil de ganhar dinheiro, ainda que a custo da perda de vidas humanas, é revoltante. 

Estamos numa nova fase da CPI. A comoção deu lugar à indignação. Transformar esse sentimento em ações concretas faz parte do meu exercício diário de arregaçar as mangas. Acompanho todas as notícias, analiso documentos, busco conexões em meio a tantas pontas ainda soltas.

Temos conseguido avanços, ao extrair dos depoentes informações importantes para o andamento dos trabalhos. Foi assim quando o deputado Luís Miranda citou o líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros, como um dos pivôs das negociatas. Também foi assim quando o intermediário de vacinas, Luiz Paulo Dominguetti, assumiu, durante minha interpelação, não saber a origem do áudio que ele jogou como uma granada sem pino sobre a CPI, para desmoralizar o deputado Miranda, na sua denúncia contra o Executivo. Afinal, qual era o papel de Dominguetti? Foi, no mínimo, estranho, quem denunciava pedido de propina no contrato com a AstraZeneca passar a ser defendido pelos próprios governistas. Seria ele um “bode na sala”?

Estamos falando de denúncias relacionadas a contratos duvidosos, relativos a três vacinas: Covaxin, AstraZeneca e Cansino. Essa última, depois de revelações conflituosas, foi deixada de lado pelo Governo, o que não significa ter fechado a caixinha da propina. A investigação tem de avançar sobre possíveis esquemas de corrupção. Certamente, as senadoras marcarão presença nos próximos capítulos da CPI.    

*Simone Tebet é Líder da Bancada Feminina do Senado Federal
 

Vai di Vinho

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