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Política

Interferência política e polêmica marcaram despedida de Moro

Sérgio Moro disse que até os governos anterior, em investigação, deram autonomia a PF

24 abril 2020 - 11h50Gabriel Neves    atualizado em 24/04/2020 às 12h05

Sérgio Moro, anunciou sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública durante uma coletiva na manhã desta sexta-feira (24), entre os principais motivos estão a exoneração de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF) e uma suposta tentativa de interferência política, feita por Jair Bolsonaro, no comendo PF.

Antes de confirmar que assinaria uma carta de demissão, o então ministro Sérgio Moro, revelou que o fato relevante não era a troca do diretor em si, mas não existir um motivo real para essa troca, afirmando que a medida era totalmente política.

Para exemplificar a sua discordância com o ato ele citou governos anteriores, PT e MDB, e a autonomia que eles deram a PF, mesmo sendo investigados, “é certo que o governo da época tinha inúmeros defeitos, aqueles crimes gigantescos de corrupção, mas foi fundamental a manutenção da autonomia da PF... Seja de bom grado ou seja por pressão da sociedade”.

Sérgio Moro também revelou que a troca de Valeixo não seria única, “nas conversas com o presidente, isso ele me disse expressamente, que não é só a troca do diretor-geral, haveria a intensão de trocar superintendentes, novamente o superintendente do Rio de Janeiro, outros superintendentes provavelmente viriam em seguida, da Polícia Federal de Pernambuco, sem que fosse-me apresentada uma razão, uma causa, para realizar esses tipos de substituições que fossem aceitáveis”.

Durante sua fala, Moro revelou ter questionado Bolsonaro se a mudança era política e teve uma confirmação do presidente, “ontem eu conversei com o presidente e ouve essa insistência do presidente (sobre a troca de Maurício Valeixo), falei ao presidente se isso não seria uma interferência política e ele disse que ‘seria mesmo’”, revelou o ex-ministro.

Moro ainda disse que Bolsonaro queria alguém no cargo com que ele tivesse uma relação mais próxima, “o presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja o diretor, seja o superintendente, e realmente não é papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”.

Ao finalizar sua fala Moro declara que estar deixando o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública, “Vou começar a empacotar minhas coisas e vou providência o encaminhamento da minha carta de demissão... Eu abandonei esses 22 anos de magistratura, infelizmente é um caminho sem volta, mas eu sabia dos riscos, vou descansar um pouco, nesses 22 anos foram muitos trabalhos... Vou procurar um emprego, não enriqueci e independentemente de onde eu esteja, sempre vou estar a disposição do país”, assim Sério Moro se despede do ministério.

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