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Política

Lula anuncia Gleisi Hoffmann para Relações Institucionais em reforma ministerial

Nova ministra da articulação política afirma querer uma "construção conjunta" com os partidos políticos e o Congresso

28 fevereiro 2025 - 16h21Carla Andréa, com UOL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) como nova ministra da Secretaria de Relações Institucionais, substituindo Alexandre Padilha (PT), que assume o Ministério da Saúde no lugar de Nísia Trindade.

A movimentação faz parte da quinta rodada de mudanças no governo e busca reforçar a articulação política com o Congresso.

Hoffmann será responsável pela articulação política do governo com o Congresso Nacional, uma função essencial para a governabilidade. Inicialmente, a deputada era cogitada para assumir a Secretaria-Geral da Presidência, atualmente ocupada por Márcio Macêdo (PT).

A expectativa era de que o cargo de Padilha fosse preenchido por um dos líderes do governo, como José Guimarães (PT-CE), na Câmara, ou Jaques Wagner (PT-BA), no Senado.

Lula optou por um nome de confiança para a pasta, que tem sido alvo de críticas devido às dificuldades na interlocução entre o Executivo e o Legislativo. A gestão de Padilha enfrentou atritos com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), e a chegada de Gleisi pode redefinir essa relação.

Apesar da proximidade com o presidente e boa relação com ministros, Hoffmann enfrenta resistência no Centrão e em parte da base aliada não petista. Seu nome não é considerado "aglutinador", característica que o governo busca para melhorar a negociação com o Congresso.

A nomeação de Gleisi impacta diretamente a liderança do PT. As eleições para a presidência da legenda estão marcadas para o meio do ano, e José Guimarães desponta como favorito da ala nordestina, que reivindica mais representatividade.

Caso ele tivesse sido escolhido para o ministério, sua candidatura poderia ser inviabilizada.

A mudança de Hoffmann para Relações Institucionais amplia para 10 o número de mulheres no primeiro escalão do governo entre os 38 ministérios. No entanto, analistas apontam que essa reforma ministerial dificilmente garantirá uma aliança automática para as eleições de 2026.

O apoio do Centrão e de outras forças políticas dependerá mais da popularidade de Lula e da imagem do governo do que das pastas ocupadas.

Principais mudanças na Esplanada

Desde julho de 2023, o governo Lula realizou diversas alterações em sua equipe ministerial:

  • Ministério do Turismo: Daniela Carneiro (União-RJ) foi substituída por Celso Sabino (União) a pedido do partido.
  • Ministério do Esporte: Ana Moser saiu para dar lugar a André Fufuca (PP), em uma tentativa de aproximar o governo do Centrão.
  • Ministério de Portos e Aeroportos: Márcio França (PSB) foi transferido para o Ministério do Empreendedorismo, abrindo espaço para Silvio Costa Filho (Republicanos).
  • Ministério dos Direitos Humanos: Silvio Almeida deixou o cargo após acusações de assédio sexual feitas pela ministra Anielle Franco (Igualdade Racial). Macaé Evaristo assumiu a pasta.
  • Secretaria de Comunicação (Secom): Paulo Pimenta saiu e foi substituído pelo publicitário Sidônio Palmeira, em uma tentativa de melhorar a imagem do governo.
  • Ministério da Saúde: Nísia Trindade deixou o cargo e foi substituída por Alexandre Padilha, que estava na Secretaria de Relações Institucionais.

A reforma ministerial segue em curso, e novas mudanças ainda são esperadas no governo nos próximos meses.

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