As discussões sobre uma possível federação entre PSOL e PT aprofundaram divisões internas no PSOL e isolaram politicamente a ala ligada ao ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e à deputada federal Erika Hilton (SP), que defendem o acordo eleitoral. O tema será debatido neste sábado (7), em reunião virtual da executiva nacional do partido.
As federações partidárias permitem que siglas atuem de forma conjunta nas eleições, somando tempo de TV e quociente eleitoral, embora mantenham nome e número próprios. Esse tipo de aliança precisa ser formalizado até abril do ano eleitoral e tem duração mínima de quatro anos.
A corrente Revolução Solidária, ligada a Boulos, Erika Hilton e à ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, defende que a federação com o PT fortaleceria a esquerda e ajudaria a enfrentar o avanço da extrema direita. O grupo também argumenta que a aliança garantiria maior segurança diante da cláusula de barreira, que exige desempenho mínimo nas eleições para que partidos tenham acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão.
Para as eleições de 2026, os partidos precisarão eleger pelo menos 13 deputados federais ou alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em ao menos nove estados. Segundo os defensores da federação, a estrutura nacional do PT poderia ampliar o alcance das candidaturas do PSOL.
Apesar disso, a proposta enfrenta resistência dentro da legenda. Correntes como o Movimento Esquerda Socialista (MES) e a Primavera Socialista, grupo majoritário do partido, avaliam que a federação pode reduzir o número de candidaturas próprias ao Legislativo, já que as vagas teriam de ser divididas entre todas as siglas da aliança.
Atualmente, o PSOL já integra uma federação com a Rede Sustentabilidade desde 2022. Caso se una ao PT, também teria de dividir espaço com PCdoB e PV. A direção da Rede já indicou que não permanecerá federada com o PSOL se o partido decidir se juntar aos petistas.
Outro ponto de crítica é a possibilidade de o PSOL ser obrigado a apoiar candidaturas estaduais que não fazem parte de sua linha política, como as de Helder Barbalho (MDB), no Pará, e Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro.
Lideranças históricas do partido também se manifestaram contra a federação, entre elas Luiza Erundina, Luciana Genro, Ivan Valente e o deputado Chico Alencar, que defende a manutenção da independência política do PSOL, apesar do apoio ao PT em disputas presidenciais de segundo turno.
O debate interno também revela um novo rearranjo entre as correntes do partido, com grupos tradicionalmente aliados assumindo posições diferentes na discussão. Parte da resistência, segundo dirigentes, também está ligada à aproximação política de Boulos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reportar ErroDeixe seu Comentário
Leia Também

Marisa Serrano debate sua trajetória com a presença de mulheres tucanas no Café com Política

Com PEC aprovada, guardas municipais podem ser chamadas de Polícia Municipal

Adriane Lopes veta projeto que aumentaria transparência em contratos e convênios

Prefeita veta projeto que proíbe multas de trânsito por câmeras em Campo Grande

Paulo Duarte sinaliza possibilidade de ir para o PSDB

Gerson Claro mantém nome disponível para o Senado até abril

Por unanimidade, STF nega prisão domiciliar a Bolsonaro

Áudio: 'inimiga', diz coordenadora de CRAS em críticas a número 2 da SAS em Campo Grande

André Puccinelli diz 'negociar alianças', mas que MDB terá chapa completa em 2026

O presidente Lula, acompanhado do ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos (Pedro Ladeira/Folhapress)



