O Mato Grosso do Sul registrou de janeiro a agosto deste ano 88 suicídios, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Dados revelados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que por 800 mil pessoas tiram a própria vida no mundo.
Um dos motivos que levam a pessoa a cometer esse ato extremo contra si mesma é a depressão. Esse pé o caso de uma enfermeira de Campo Grande. “Não sei exatamente quando aquela tristeza se instalou de vez. Apenas sei que os dias se tornavam mais tristes, sem cor e sem esperança”, diz a mulher de 37 anos, que teve a identidade preservada.
A mulher, que passou por um longo período de infelicidade, venceu o sofrimento psíquico e evitou o suicídio. No entanto, o apoio que ela teve para lidar com seus problemas, recebido até mesmo de “poucos amigos e familiares”, não é realidade da maioria.
No ano passado 263 vidas foram perdidas por este mal. Segundo a SES, os números são expressivos e revelam um problema de saúde pública complexo, rodeado de tabus. De difícil compreensão, o assunto muitas vezes é colocado de lado. As pessoas evitam falar a respeito. Mas, nem sempre, essa é a melhor decisão, avaliam especialistas.
Prevenção do suicídio
Desde 2003, o dia 10 de setembro é marcado como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. No Brasil, a data foi reforçada em 2014 com a criação da campanha Setembro Amarelo, idealizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O objetivo é conscientizar a população sobre a temática.
E para falar de prevenção do suicídio é necessário deixar de lado o tabu - aquilo que é proibido por crença ou pudor. As conversas sem julgamentos e a acolhida de quem está passando por sofrimentos podem ser algumas das ferramentas mais eficazes para salvar vidas.
A enfermeira do início da reportagem, por exemplo, conseguiu ajuda de um colega médico psiquiatra depois de conversar e pedir auxílio. Ela passou por um longo acompanhamento e uma internalização.
“Um trabalho sobre revitalizar aquela alma morrendo naquele corpo que permanecia vivo, um caminho de auto-descobrimento”, define ela.
Rede de atenção
E ajuda que muitas pessoas precisam pode vir por vários caminhos. Um deles é o SUS. Em todo o Mato Grosso do Sul, serviços pelo Sistema Único de Saúde estão disponíveis para a população que precisa de cuidados. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) e ambulatórios de saúde mental estão espalhados por 22 cidades do Estado.
Com atendimento especializado, os CAPs funcionam em Aparecida do Taboado, Aquidauana, Bataguassu, Bela Vista, Bonito, Caarapó, Camapuã, Campo Grande, Cassilândia, Chapadão do Sul, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Dourados, Maracaju, Nova Andradina, Naviraí, Paranaíba, Ponta Porã, Rio Verde de Mato Grosso, São Gabriel do Oeste e Sidrolândia.
Quem precisar de apoio nos demais municípios do Estado pode procurar atendimento na unidade básica de saúde - o postinho do bairro. Outra alternativa é Centro de Valorização da Vida (CVV), que atende gratuitamente pelo telefone 188.
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