A temporada de chuvas no estado vai chegando e com ela as preocupações com as doenças consideradas epidêmicas nesse período, assim como a Leptospirose, de acordo com o Ministério da Saúde.
A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (especialmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira. Dados do Ministério mostram que em 2022 foram mais de 3 mil casos confirmados no país, sendo 310 óbitos.
A região Sudeste liderou a lista de confirmações com 1.018 infectados – sendo 108 mortes; seguida das regiões Nordeste (954), Sul (762), Norte (304) e Centro-Oeste (45).
De acordo com a Gerente Técnica Estadual das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, da Secretaria de Saúde do Estado (SES), Jacqueline Romero, este ano Mato Grosso do Sul teve um aumento no números de casos da doença. Em 2022 foram 27 casos, já em 2023, o registro foi de 56 casos até a data de hoje (22/12).
Para controle e prevenção da doença, a SES age de forma preventiva, fazendo orientação a todos os municípios, além de treinamentos in loco e dispensação de hipoclorito de sódio 2,5% para tratamento de água de consumo.
Em períodos de chuva, os casos podem aumentar e é preciso cuidado redobrado. "Em situações de enchentes e inundações, a urina dos ratos, presente em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama das enchentes. Qualquer pessoa que tiver contato com a água das chuvas ou lama contaminadas poderá se infectar. As leptospiras presentes na água penetram no corpo humano pela pele, principalmente se houver algum arranhão ou ferimento. O contato com água ou lama de esgoto, lagoas ou rios contaminados e terrenos baldios com a presença de ratos também podem facilitar a transmissão da leptospirose", afirma Jacqueline.
No Brasil, a leptospirose é uma doença endêmica, tornando-se epidêmica em períodos chuvosos, principalmente nas capitais e áreas metropolitanas, devido às enchentes associadas à aglomeração populacional de baixa renda, às condições inadequadas de saneamento e à alta infestação de roedores infectados.
Algumas profissões facilitam o contato com as leptospiras, como trabalhadores em limpeza e desentupimento de esgotos, garis, catadores de lixo, agricultores, veterinários, tratadores de animais, pescadores, militares e bombeiros, dentre outros. Contudo, a maior parte dos casos ainda ocorre entre pessoas que habitam ou trabalham em locais com infraestrutura sanitária inadequada e expostas à urina de roedores.
A doença apresenta uma letalidade média de 9%. Os sintomas mais comuns são diarreia, dor nas articulações, vermelhidão ou hemorragia conjuntival, fotofobia, dor ocular e tosse.
Entre os casos confirmados, o sexo masculino com faixa etária entre 20 e 49 anos estão entre os mais atingidos, embora não exista uma predisposição de gênero ou de idade para contrair a infecção. Quanto às características do local provável de infecção (LPI), a maioria ocorre em área urbana, e em ambientes domiciliares.
Cuidados para prevenir a doença
De acordo com a SES para o controle da leptospirose, são necessárias medidas ligadas ao meio ambiente, tais como obras de saneamento básico (abastecimento de água, lixo e esgoto), melhorias nas habitações humanas e o combate aos ratos.
Ainda segundo a SES, a população também pode ajudar no controle. Veja algumas dicas:
- Deve-se evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas ou outros ambientes que possam estar contaminados pela urina dos ratos.
- Pessoas que trabalham na limpeza de lamas, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de borracha (se isto não for possível, usar sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés).
- O hipoclorito de sódio a 2,5% (água sanitária) mata as leptospiras e deverá ser utilizado para desinfetar reservatórios de água (um litro de água sanitária para cada 1.000 litros de água do reservatório), locais e objetos que entraram em contato com água ou lama contaminada (um copo de água sanitária em um balde de 20 litros de água).
- Durante a limpeza e desinfecção de locais onde houve inundação recente, deve-se também proteger pés e mãos do contato com a água ou lama contaminadas. Dentre as medidas de combate aos ratos, deve-se destacar o acondicionamento e destino adequado do lixo e o armazenamento apropriado de alimentos.
- A pessoa que apresentar febre, dor de cabeça e dores no corpo, alguns dias depois de ter entrado em contato com as águas de enchente ou esgoto, deve procurar imediatamente o Centro de Saúde mais próximo. A leptospirose é uma doença curável, para a qual o diagnóstico e o tratamento precoces são a melhor solução.
Em Campo Grande, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realiza o processo chamado desratização, para redução da população de ratos, principalmente em áreas próximas aos córregos que atravessam a cidade. Eles fazem a aplicação de raticidas e iscas com veneno para estes roedores nos bueiros e em pontos estratégicos dessas áreas.
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Em perÃodos de chuva, os casos podem aumentar e é preciso cuidado redobrado. (Foto: ddribeira.com.br)



