O número de pessoas mortas em ações policiais aumentou em 17 estados brasileiros ao longo de 2025, segundo levantamento do G1 com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública atualizados até a última terça-feira (3). Outros nove estados registraram queda, enquanto o Distrito Federal manteve os mesmos números de 2024. No total, o país teve alta de 4,5% na letalidade policial em relação ao ano anterior.
O crescimento ocorre em sentido oposto ao das mortes violentas em geral. Dados divulgados em janeiro mostram que o Brasil registrou, em 2025, queda pelo quinto ano consecutivo nos homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte. As mortes decorrentes de ações policiais são contabilizadas separadamente e, em um período de dez anos, acumularam aumento de 170%.
Entre os estados, Rondônia apresentou a maior variação percentual, passando de oito mortes em 2024 para 47 em 2025, alta de 488%. Em números absolutos, estados de diferentes regiões aparecem entre os maiores registros, como Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, mas também Pará, Amapá e outros do Norte e Nordeste figuram com taxas elevadas quando considerado o número de mortes por 100 mil habitantes.

No Amapá, por exemplo, a taxa chegou a 17,11 mortes por 100 mil habitantes, seguida pela Bahia (10,55) e pelo Pará (7,28). Em Rondônia, o Ministério Público estadual criou um grupo especial para analisar a situação da segurança pública, apontando que conflitos entre facções e o aumento das operações policiais contribuíram para o cenário. Em estados do Norte e do Nordeste, autoridades também relacionam o avanço da letalidade a disputas territoriais e ao reforço do policiamento ostensivo.
Especialistas avaliam que os dados refletem um modelo de segurança pública ainda baseado no uso intenso da força. Para o tenente-coronel aposentado da Polícia Militar Adilson Paes de Souza, os números indicam a permanência de uma lógica que aposta na letalidade como resposta ao crime, independentemente de orientação política dos governos estaduais. Segundo ele, essa estratégia não tem resultado em maior segurança para a população nem para os próprios policiais.
Na mesma linha, a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, afirma que políticas voltadas ao uso de alternativas não letais avançam pouco nos estados. Ela destaca que, mesmo com projetos e equipamentos disponíveis, o uso da força letal segue elevado e não é tratado como prioridade a ser reduzida.
Enquanto as mortes provocadas por policiais cresceram, o número de agentes de segurança mortos em serviço caiu em 2025, passando para 185 casos, uma redução de 8% em relação a 2024. Já os suicídios entre policiais também diminuíram, de 151 para 131, queda de 13%. Ainda assim, os dados indicam que, em média, um agente de segurança tira a própria vida a cada três dias no país.
Nos últimos dez anos, 1.303 profissionais da segurança pública morreram por suicídio no Brasil, a maioria policiais militares, seguidos por policiais civis. Para especialistas, o conjunto dos números mostra que a violência afeta tanto a população quanto os agentes do Estado, sem que os atuais modelos de enfrentamento consigam reduzir de forma consistente os riscos para ambos.
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