Produtores de carne do país temem que a decisão dos Estados Unidos de embargar o produto brasileiro in natura (carne fresca) prejudique o acesso do Brasil a novos mercados. A preocupação foi revelada pelo vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco, para quem a decisão do governo norte-americano causa mais impacto à imagem do produto brasileiro que ao bolso do exportador.
“A preocupação é mais com a imagem do país como exportador e produtor de pecuária do que com a parte financeira, porque os Estados Unidos não são um importador importante de bovinos in natura”, disse o dirigente da SNA. Em nota, outra entidade, a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), manifestou a crença de que as exportações possam ser retomadas em curto prazo, com base no comunicado norte-americano.
A suspensão da importação foi decidida porque 11% da carne exportada pelo Brasil desde março não passou em testes de qualidade nos Estados Unidos. Sirimarco lembrou que a venda de carne desse tipo para aquele mercado é recente, mas admitiu que a atitude do governo norte-americano pode ter repercussões sobre outros países, uma vez que o Brasil está tentando abrir novos mercados, como Japão e Coreia.
Sirimarco afirmou que o Brasil é o único exportador de carne vacinada contra a febre aftosa para o mercado norte-americano. O que ocorreu, segundo ele, foi alguma reação à vacina nos bovinos, que provocou “calombos” na carne, mas nada que altere a qualidade do produto. Os Estados Unidos têm, porém, normas rigorosas de controle que detectam esses processos e, na dúvida, visando à proteção do consumidor, “eles simplesmente embargam” a importação, comentou.
O dirigente destacou que o Ministério da Agricultura já havia sido comunicado do problema e tinha tomado providências, como a suspensão da exportação de carne para os EUA de cinco frigoríficos, esta semana, como uma medida preventiva. O ministério, reforçou o vice-presidente da SNA, já está sinalizando a adoção de nova metodologia de inspeção na carne nos frigoríficos, mais rigorosa.
De janeiro a maio, as exportações de carne in natura do Brasil para os EUA atingiram 4,68 mil toneladas, algo em torno de US$ 18,9 milhões. No mesmo período, a China importou 52,88 mil toneladas. “Ou seja, a importação dos Estados Unidos não chega nem a 10% da [compra da] China e a estimativa para este ano do Brasil, de [exportação de] carnes bovinas, incluindo produtos industrializados, está em 1,5 milhão de toneladas”.
Reportar ErroDeixe seu Comentário
Leia Também

Anvisa aprova medicamento para crises de epilepsia farmacorresistente

Laudo do IML aponta lesões na face e pescoço de policial baleada em SP

Indústria de alimentos e bebidas cresceu 8% em 2025, diz Abia

Deputados do PL suspeitos de corrupção em emendas são julgados pelo STF

Criminalizar jornalistas é erro jurÃdico e ameaça à democracia, diz presidente da OAB-RJ

Governo libera crédito para cidades mineiras atingidas por chuvas

Esposa de Moraes detalha contrato com Banco Master e afirma que nunca atuou no STF

Violência contra mulheres dispara e feminicÃdio triplica em cinco anos no Brasil, diz CNJ

PRF estabelece calendário de restrições para veÃculos de carga em 2026






