A flexibilização do processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), aprovada pelo Contran, preocupa o setor em Campo Grande. Segundo o SindCFCMS (Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Mato Grosso do Sul), a medida deve reduzir exigências das autoescolas e provocar demissões de instrutores e funcionários administrativos, exigindo uma reorganização das empresas.
A resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Trânsito simplifica etapas, permite que o candidato faça a prova prática sem passar obrigatoriamente por autoescola e pode reduzir em até 80% o custo total da habilitação. A mudança tem potencial para beneficiar milhões de brasileiros que enfrentam dificuldades para tirar a CNH devido ao alto preço e à burocracia, mas gera alerta no setor que emprega centenas de profissionais.
Segundo o presidente do sindicato, Henrique Fernandes, o principal impacto da mudança não está na redução da carga horária mínima, mas na diminuição das exigências que sustentam a estrutura das autoescolas.
“A flexibilização do processo como um todo é o que mais nos preocupa. Com menos exigências e menos estrutura obrigatória, muitas funções deixam de existir. Infelizmente, isso vai causar bastante demissão, principalmente de instrutores e do pessoal administrativo”, afirmou ao JD1.
Fernandes explica que, atualmente, o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) exige uma série de estruturas internas nas autoescolas, incluindo atendentes para aulas teóricas, práticas e para documentação. Com a nova resolução, parte dessa estrutura deixa de ser necessária.
“É muito triste, porque o setor emprega muita gente. E com essa mudança, certamente teremos que reduzir o quadro”, lamenta.
Apesar das preocupações, o presidente do sindicato reconhece que a medida pode facilitar o acesso à CNH para a população. “Com menos burocracia e custo menor, o processo fica mais acessível. O aluno vai poder escolher entre uma estrutura autônoma ou uma autoescola. E as autoescolas têm nome, têm experiência. Acredito que ainda haverá procura”, afirma.
A resolução aprovada nesta segunda-feira (01) passará a valer assim que for publicada no Diário Oficial da União (DOU), mas já movimenta debates sobre o impacto econômico no setor de formação de condutores em Campo Grande e em Mato Grosso do Sul como um todo.
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Foto: Ilustrativa / (Lia de Paula/Agência Senado)



