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Esportes

Copa: polêmicas de Ronaldo viram problema para a Globo

27 maio 2014 - 11h43Via Terra
Ronaldo Nazário foi herói de uma Copa. Mas neste Mundial corre o risco de ser visto como vilão. A popularidade altíssima conquistada com o pentacampeonato, em 2002, está ofuscada pelas posições tomadas pelo ex-jogador, que desta vez atuará como comentarista da Globo. Assim como o locutor Galvão Bueno é rejeitado por parte da torcida, Ronaldo pode experimentar, pela primeira vez, o sabor amargo da antipatia do público.
 
A Globo ainda conta com a influência do Fenômeno para tentar reverter o desânimo do telespectador-torcedor. Mas as polêmicas protagonizadas por ele resultaram numa série de gols contra, que agravam a má vontade generalizada com a Copa.
 
O primeiro aconteceu em dezembro de 2011. Ao ser anunciado como membro do conselho de administração do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo 2014, o ídolo fez a mais infeliz de suas declarações: “Não se faz Copa do Mundo com hospital. Tem que fazer estádio”.
 
A bola fora mais recente foi chutada na sexta-feira (23), quando Nazário fez um desabafo surpreendente em entrevista à agência de notícias Reuters, ao comentar os atrasos nas obras: “Eu me sinto envergonhado, porque é o meu país, o país que eu amo, e a gente não podia estar passando essa imagem para fora”.
 
Apesar do tom dramático, a crítica de Ronaldo não sensibilizou o público tampouco a imprensa. O ex-atacante foi duramente criticado pela maioria dos cronistas esportivos. Sua imagem ficou ainda mais desgastada — até mesmo entre os governistas. A presidente Dilma rechaçou o tom pessimista do ex-craque da Seleção. O ministro do Esporte, Aldo Rebello, disse que a reclamação de Nazário foi “um chute contra o próprio gol”.
 
Para piorar a situação, Ronaldo escolheu justamente este momento tenso para anunciar apoio ao pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, o mineiro Aécio Neves. Era tudo o que a Globo não desejava: o seu comentarista mais popular — e internacionalmente famoso — associado à disputa eleitoral em plena Copa do Mundo no Brasil.
 
Como cidadão, Nazário tem o direito legítimo de se posicionar politicamente. Porém, na cúpula global, a expectativa era de que ele seguisse o código de conduta imposto aos profissionais das Centrais de Jornalismo e Esporte da emissora: isenção completa nas eleições, sem revelar intenção de voto.
 
Apesar da ranhura na imagem, Ronaldo será peça fundamental para a cobertura da Globo. Com livre trânsito entre os dirigentes da FIFA e a Seleção, ele poderá trazer para o vídeo informações exclusivas e contribuir efetivamente com as equipes em campo. Ele tem contrato com a emissora até o final da Copa da Rússia, em 2018. Mas não recebe salário fixo. Ganha um cachê por cada jogo no qual faz comentários.

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