Val Lopes é uma das mulheres que ganham aplausos e é reconhecida pela sua trajetória, principalmente por como começou no esporte e como se tornou uma das referências no âmbito de arbitragem do handebol. Além disso, aos 30 anos, ela carrega o peso de ser diretora de arbitragem da Federação de Handebol de Mato Grosso do Sul.
A história dela se completa com o próprio desenvolvimento da modalidade no Estado, marcada por formação local, persistência e construção técnica dentro das limitações estruturais do esporte.
“O início foi numa escola pública, onde o professor de Educação Física também era treinador. Ele me convidou para participar de um projeto que acontecia no Guanandizão. Eu fui, gostei e fiquei até hoje”, relembra. A inserção precoce no esporte abriu caminho para uma trajetória como atleta, que mais tarde serviria de base para a transição à arbitragem.
A mudança de função aconteceu de forma gradual e ligada à continuidade da vida profissional dentro do handebol. “A arbitragem foi uma continuação da minha vida como jogadora. Quando voltei de São Paulo, onde eu estava jogando, o que tinha para eu fazer aqui em Campo Grande era arbitragem, além da fonte de renda, que sempre foi boa apitando”, explica.
Antes do retorno ao Estado, Val passou por experiências em seleções brasileiras, seleção paulista e equipes campo-grandenses, até decidir encerrar a carreira como atleta e iniciar um novo ciclo dentro das quadras.
O processo de formação como árbitra, no entanto, esbarrou em desafios estruturais do handebol sul-mato-grossense, especialmente na categoria adulta. “As barreiras que a gente encontrou foram a falta de equipes de alto nível aqui no estado. A gente estudava, fazia treinamento físico e técnico, mas não tinha a prática concisa, bem aplicada, e isso nos tirava de jogos bons a nível nacional”, afirma. Mesmo assim, Val integrou a primeira dupla de árbitros nacionais formados em Mato Grosso do Sul, ao lado de André, além de outros nomes que ajudaram a abrir esse caminho no Estado.
Apesar das dificuldades, ela destaca que o preconceito enfrentado ao longo da trajetória não foi determinante para limitar o desenvolvimento profissional. “Chegamos a ser árbitros nacionais, fomos os primeiros aqui no estado, e houve um pouco de preconceito, mas isso não foi o fator decisivo para o nosso maior desenvolvimento a nível internacional”, pontua.
A preparação física sempre foi tratada como parte central da atuação dentro de quadra. “Ela tem que ser intensa e constante, porque o jogo de handebol evolui a cada ano. Fica mais potente, mais veloz, mais ágil, e o árbitro precisa estar no mesmo nível para apitar bem qualquer categoria, da base ao adulto”, explica. Para Val, o desempenho está diretamente ligado à capacidade de acompanhar o ritmo do jogo e tomar decisões precisas em movimento.
Já a preparação psicológica, segundo ela, é consequência direta do estudo e da organização em todas as áreas. “Quando você estuda, se prepara fisicamente, tecnicamente, na parte prática e lendo a regra, você automaticamente se prepara psicologicamente para entrar no jogo”, afirma.
Ela acrescenta que esse equilíbrio envolve também aspectos pessoais, como espiritualidade, meditação e, quando necessário, acompanhamento profissional. “A base do emocional é a preparação em todas as esferas.”
Mesmo alcançando o status de árbitra nacional, Val construiu toda a sua trajetória dentro de Mato Grosso do Sul. “Não precisei sair daqui. Nós nos preparamos tudo aqui, fizemos a prova aqui e nos tornamos nacionais aqui”, destaca. Os cursos e avaliações de ascensão, segundo ela, foram realizados no próprio Estado, com apoio da federação. “Com relação à nossa federação, a gente não tem nada que reclamar. Nos deu todo o suporte para chegarmos a ser árbitras nacionais.”
A limitação de jogos adultos no Estado direcionou a atuação de Val principalmente para as categorias de base, tanto local quanto nacionalmente. “Aqui a base é forte, então a gente apitava sempre essas categorias. Fora do estado, a nível nacional, também eram jogos de base: cadete, juvenil, júnior. Só o adulto que não tivemos a oportunidade, justamente por não ter essa categoria fortalecida aqui”, explica.
Hoje, à frente da diretoria de arbitragem da Federação de Handebol de Mato Grosso do Sul, Val Lopes representa uma geração formada integralmente em Campo Grande que alcançou reconhecimento nacional sem precisar migrar para outros centros. Sua trajetória evidencia não apenas o caminho individual dentro do esporte, mas também os desafios e avanços da arbitragem feminina e do handebol sul-mato-grossense nos últimos anos.
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Val Lopes foi jogadora e hoje é árbitra (Arquivo Pessoal)



