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Beneficiários do Vale Renda multiplicam renda familiar com criação de pequenos negócios

14 julho 2017 - 15h38Da redação com Assesoria

As famílias que fazem parte do programa de assistência social Vale Renda passam por uma mudança de comportamento. Com apoio das equipes que fazem acompanhamento e as reuniões mensais, os beneficiários passaram a multiplicar o valor de R$ 170 que recebem por mês criando seu próprio negócio.

De acordo com a secretária de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho, Elisa Cleia Nobre, o Vale Renda é desenvolvido com objetivo de levar ações voltadas para as famílias sul-mato-grossenses em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

“Além do aporte financeiro, as famílias participam de reuniões socioeducativas mensais, com palestras e empoderam-se de informações sobre seus direitos e deveres, serviços públicos, conceitos de cidadania e também recebem auxílio no trajeto para a independência e melhores condições de vida em um futuro mais digno. O incentivo ao empreendedorismo vem nesse sentido, de podermos oferecer melhores condições para que eles possam sustentar a família e também de melhorarem a renda familiar com a criação de seu próprio negócio para independência financeira”, declarou.

A coordenadora do Vale Renda, Angela Nunes de Lima Ferreira, diz que a política de transferência de renda tem como diretrizes formular e implementar programas para fortalecer os vínculos familiares, oportunizar qualificação profissional e geração de emprego e renda. “O programa de governo dá um auxílio financeiro para quem realmente precisa. Fazemos esse trabalho de apoiar e motivar porque sabemos que com empenho, as pessoas são capazes de mudar suas realidades”, frisou.

Superação

Tatiana Aparecida, de 38 anos, começou a fazer tortas, salgados e bala baiana para vender. Desempregada e enfrentando um tratamento sério de saúde, ela ganhou forças para sair de uma depressão e começar a trabalhar por conta própria no grupo que frequenta do programa Vale Renda.

“O programa me ajuda muito. Recentemente passei por uma fase muito difícil. Tive um acidente de trabalho e acabei sendo demitida. Tenho dois filhos, moro de aluguel e ainda estou em tratamento. Se não fosse o Vale Renda não teríamos nem o suprimento de casa. Nada é fácil. Mas nas reuniões eu comecei a me sentir muito motivada, são muitas histórias de vida. E quando a gente passa por uma dificuldade, com risco de morte, como foi meu caso, pensa seriamente na vida que vem levando. Eu pensei: se consegui passar por tudo isso e sobressair, eu sou capaz”, contou.

Com o apoio do grupo, surgiu o interesse por iniciar um negócio que pudesse ser feito em casa.

Quando nos falaram de buscar uma alternativa eu logo pensei: na área de estética não dá, sou péssima em fazer unha, cabelo então piorou (risos). Mas o alimento, eu já tinha trabalhado com isso. Foi quando comecei a fazer as tortas, salgados e bala baiana. Me encorajei, peguei o dinheiro do Vale e comecei. É pouquinho ainda, mas a clientela está gostando muito. Isso me incentivou tanto que prestei um vestibular em junho e depois de 20 anos sem estudar passei para o curso de Direito. Agora vou atrás do Vale Universidade. Tenho uma filha de 16 anos que me apoia muito. Antes me sentia incapaz, mas agora vejo que isso é só o começo e eu não vou desistir”, disse.

Capital de giro

Beneficiária do programa há muitos anos, dona Veralucia Alves Barreto, 51 anos, conta que o sucesso do seu negócio vem da força de vontade e daquele ‘empurrãozinho’ que o Vale Renda dá todo mês. Segundo ela, saber que pode contar com os R$ 170 mensais faz toda a diferença na hora de planejar sua produção e também os gastos de casa. Veralucia confecciona peças de tricô e crochê e já vendeu seus produtos até para uma cliente em Boston, capital do estado de Massachusetts nos Estados Unidos da América (EUA).

“No meu grupo eles me usam como exemplo. Sou uma mulher muito honesta e sincera. Então, desde que o benefício deixou de ser um sacolão e passou a ser dinheiro eu transformo em uma renda maior. Meu marido é aposentado e recebe um salário. Nós temos quatro filhos. Não tem como manter a casa só com esse dinheiro. Ai eu entro: compro meu material para trabalhar e faço nosso dinheiro valer mais. As pessoas veem meu trabalho pelo Facebook, nos grupos que eu participo. Mês passado vendi um vestido para uma senhora em Goiânia. Consegui ganhar R$ 300 de lucro com a peça. Também faço rifas e já vendi até um biquíni para uma mulher em São Paulo que enviou para  a filha em Boston. É muito gratificante”, relatou.

Veralucia é pernambucana de nascimento e veio para Mato Grosso do Sul aos 20 anos, com marido e dois filhos. Ela aprendeu a fazer sua arte olhando as mulheres mais velhas em sua cidade natal, quando tinha apenas sete anos de idade.

“Deus me deu um dom e eu sempre tive vontade de empreender. Sou autodidata e já dei muitos cursos na escola do bairro, em assentamentos e hoje o Vale Renda se tornou uma espécie de capital de giro para mim. Todo mês eu tenho o valor e invisto na compra de linhas, agulhas, até um manequim. Claro que não compro R$ 170 de matérias todo mês, também ajuda na compra de casa, mas é com essa renda que eu aumento meu ordenado. Tenho certeza que tendo oportunidade as pessoas sempre podem ir mais longe”, finalizou.

 

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