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“Cultura do Estupro” será discutida em audiência na Capital

O conceito significa a naturalização do estupro por meio da culpabilização das vítimas pela violência sofrida

29 junho 2016 - 16h15Natália Moraes

Segundo a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180 registrou em 2015 cerca de 10 casos de violência sexual por dia, com um aumento de 165,27% no número de estupros em relação ao levantamento anterior. Os dados revelam uma realidade assustadora que atinge as mulheres diariamente. Além disto, frequentemente, elas são culpadas pela agressão sofrida. Com o objetivo de desconstruir a “cultura do estupro”, a Defensoria Pública do Estado, por meio do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) realiza uma audiência nesta sexta-feira (01). O debate inicia às 13h30, na Escola Superior da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul.

A cultura do estupro é um pensamento machista da sociedade que culpa a mulher pela violência sofrida, usando justificativas como a roupa usada pela vítima, o que ela fazia no momento do ato, se estava sozinha, etc. Desde o estupro coletivo sofrido por uma adolescente no Rio de Janeiro em maio deste ano, diferentes instituições da sociedade têm discutido o tema, objetivo semelhante da audiência pública do Nudem.  O debate será aberto pela coordenadora do núcleo, a Defensora Pública Edmeiry Silara Broch Festi, presidente dos trabalhos, e contará com a colaboração das Defensoras Públicas da Mulher, Graziele Carra Dias Ocáriz e Thaís Dominato Silva Teixeira.

De acordo com a coordenadora do núcleo, o Nudem convoca todos os segmentos da sociedade e autoridades para discutir o tema para reunir sugestões, projetos e ações concretas que visem a desconstrução da cultura do estupro. “Em uma época em que as informações estão disponíveis de modo viral na internet e nos aplicativos de celular, queremos trazer a discussão dos direitos humanos da mulher, demonstrando que não se trata de defesa de uma ‘ideologia’, pois estamos falando de realidade estampada em números absurdos de violação de direitos, que deveria ser inaceitável em qualquer estado democrático”, afirmou.

Superintendente afirma que falar de estupro ainda é tabu

Em entrevista concedida ao Jornal de Domingo, a advogada Luciana Azambja, responsável pela Superintendência das Políticas Públicas para as Mulheres, afirmou que falar de estupro ainda é tabu. Segundo ela, “é falar sobre a violência no sexo não consentida, é falar sobre a dominação dos homens e a submissão da mulher numa sociedade extremamente machista que discrimina mulheres”.

De acordo com Azambuja, nos primeiros cinco meses de 2016, de janeiro a maio, foram registrados 513 casos de estupro. “Assusta quando falamos que Mato Grosso do Sul é o segundo Estado do Brasil em números de estupro e que teve 513 registros de ocorrências em cinco meses, uma média de 100 por mês. É um número alto e preocupante, que precisa ser conversado, discutido”. Segundo ela, este dado pode ser maior, já que de acordo com a senadora Simone Tebet, que preside a Comissão Parlamentar Mista de Violência Contra a Mulher, apenas 10% das mulheres violentadas estupradas denunciam.

Para a superintendente, a sociedade deve mudar de comportamento para prevenir o estupro. “Os homens precisam entender que se a mulher não consente, o ato é forçado e é estupro. A prevenção vem da conscientização da sociedade. É preciso falar sobre igualdade de gênero e enfrentamento à violência contra as mulheres na família, na escola, na igreja, na faculdade, na associação de bairro. É preciso falar sobre o assunto o tempo todo, porque a sociedade, não só a sul-mato-grossense, não só a brasileira, mas a sociedade como um todo precisa se conscientizar de que as mulheres não são seres inferiores, não são objetos de propriedade do homem”.

A Escola Superior da Defensoria Pública está localizada na Rua Raul Pires Barbosa, 1519, Chácara Cachoeira.

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