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Cultura não tem dinheiro para fazer nova versão de Castelo Ra-Tim-Bum

A atração faz parte da nostalgia dos telespectadores e é tema de uma nova exposição no Memorial da América Latina, em São Paulo

01 abril 2017 - 14h42UOL

Depois de duas décadas de reprises do Castelo Rá-Tim-Bum (1994-1997), a TV Cultura considera fazer uma nova versão do programa, mas esbarra em um obstáculo intransponível: não tem dinheiro e não consegue viabilizar parcerias. Produção infantil nacional mais aclamada dos anos 1990, a atração faz parte da nostalgia dos telespectadores e é tema de uma nova exposição, aberta a partir desta sexta (31) no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Marcos Mendonça, presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da Cultura, confirma o interesse em produzir novos episódios, mas diz que a crise não deixa.

"Evidentemente, o Castelo é um produto que nós gostaríamos imensamente de voltar a produzir, temos todo o interesse. Mas é uma produção extremamente cara, pode-se ter uma avaliação disso [ao observar] os detalhes, a riqueza. Se nós tivermos condições, recursos, voltaremos a produzir o Castelo Rá-Tim-Bum. Mas a gente vive uma situação de extrema dificuldade financeira, numa crise, isso é óbvio. Nesse momento, [a realização de uma nova versão] é algo muito difícil de ser atingido", afirma.

O orçamento do Castelo Rá-Tim-Bum foi o mais alto da história da Cultura: US$ 1,2 milhão (atualmente, cerca de R$ 3,78 milhões), segundo o jornal O Globo. Há quase duas décadas, o canal passa por séria crise financeira, com corte de gastos e de funcionários e sem verba para produzir novos conteúdos de ficção.

Contudo, um remake do Castelo seria difícil, mas não impossível. Mendonça dá como exemplo a série Sésamo. A atração foi ao ar originalmente na emissora de 1972 a 1974. Em 2007, a Cultura retomou a parceria com a Sesame Workshop, instituição norte-americana que detém os direitos do programa, e criou uma nova versão, no ar até hoje.

O presidente observa que, por fatores como limitações na publicidade, alto custo de produção e pouco retorno comercial, as emissoras de TV aberta foram abandonando as atrações infantis ao longo da última década. A última grande produção do gênero foi Sítio do Picapau Amarelo (2001-2007), da Globo

Castelo Rá-Tim-Bum estreou no auge da programação infantil da Cultura: antes dele, o canal já havia tido boa repercussão com programas como Rá-Tim-Bum (1990), Glub Glub (1991) e X-Tudo (1992). A atração chegou a registrar 8 pontos no Ibope (equivalente a cerca de 318 mil residências em 1994) no primeiro episódio. 

Castelo do século 21

Desde que a estreia do programa completou duas décadas, iniciativas têm sido tomadas para manter o Castelo vivo na memória dos fãs. No ano passado, todos os episódios da atração foram publicados no canal de YouTube da Cultura. Em 2014, uma exposição realizada no MIS (Museu da Imagem e do Som, em São Paulo), recriou cenários e recebeu a visita de 410 mil fãs.

Marcos Mendonça afirma que, desde então, a emissora recebeu muitos pedidos para uma nova exposição. Ele acredita que quem gostou da primeira gostará ainda mais da segunda, que foi "aprimorada" com espaço mais amplo e mais tecnologia.

Com 22 cenários distribuídos em 700 metros quadrados, o curador e produtor Marcelo Jackow conta que a exposição criou novos ambientes em homenagem a personagens, como uma sala toda rosa para a personagem Penélope.

Para renovar os velhos cenários e instigar novas gerações de crianças que não acompanharam a exibição original do Castelo na TV, o Memorial atualizou o Castelo com tecnologias que não existiam na época, como hologramas.

Fantoches como a gralha Adelaide e o Gato Pintado agora "falam" automaticamente, sem o controle humano. No quarto da bruxa Morgana, o interior do caldeirão é uma tela com a qual o público pode interagir, e a vassoura só falta voar sozinha de tanto que se mexe.

"A gente queria algo que fosse mais do que o inédito", diz Felipe Pinheiro, diretor administrativo do Memorial da América Latina. "Alguns ambientes têm personagens que falam com você, como se estivessem saindo da televisão. A gente quis não só reproduzir, mas trazer uma tecnologia e mostrar esse castelo vivo, pulsando", declara Jackow. 

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