Um grupo de agentes penitenciários fez hoje (17) um ato na Esplanada dos Ministérios para pedir a contratação de profissionais aprovados em concursos públicos nos estados e melhores condições de trabalho. O protesto terminou às 13h em frente ao Ministério da Justiça, onde os agentes protocolaram uma carta destinada ao ministro Alexandre de Morais, com as demandas da categoria.
"Nesse momento de crise do sistema penitenciário, o agente penitenciário deveria ter sido inserido nos debates", diz o presidente da Federação Brasileira dos Servidores Penitenciários (Febrasp) e do Sindicato dos Agentes de Atividades Penitenciárias do Distrito Federal (Sindpen-DF), Leandro Allan Vieira. "O governo está fazendo o papel inverso e não valoriza essa categoria".
Segundo Vieira, o país teria que aumentar em 30 vezes o número de agentes penitenciários para atender à recomendação do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça, de cinco presos para cada agente. "Em Brasília, temos 850 candidatos aptos a irem para curso de formação e serem nomeados", diz e acrescenta que os estados preferem terceirizar a função por meio de parcerias público privadas a efetivar os funcionários.
Participaram do ato, de acordo com a organização, agentes penitenciários e candidatos aprovados em concurso, mas ainda não nomeados do Tocantins, de Goiás, Minas Gerais, do Paraná, de São Paulo e do Distrito Federal.
O grupo pede o fim das terceirizações, das parcerias público privadas e das privatizações dos presídios, assim como a contratação de mais profissionais, investimento na reintegração social dos presos e a aprovação de duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) – 308/2004 e 14/2016 –, em tramitação no Congresso Nacional. As propostas tratam da criação de uma política penitenciária.
Durante o ato, o presidente Michel Temer reunia-se com representantes da Polícia Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), do Gabinete de Segurança Institucional e das Forças Armadas, perto do prédio do Ministério da Justiça, no Palácio do Planalto. O tema da reunião era segurança pública.
Presídios
Sucessivas rebeliões em presídios de vários estados resultaram em mais de 130 mortes. Chacinas, rebeliões e tentativas de fuga ocorrem desde o início do ano nos estados do Amazonas, Roraima, Rio Grande do Norte, Paraná, Minas Gerais e Bahia. A situação dos presídios é de superlotação e péssima infraestrutura.
Dados de 2014 do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) mostram o crescimento gradual da população carcerária no Brasil. Em 2004, o país tinha 336 mil presos. Dez anos depois, esse número quase dobrou, com 622 mil detentos, sendo 584,7 mil em prisões estaduais, 37,4 mil em carceragens de delegacias e 397 nas quatro prisões federais em funcionamento no país.
A falta de profissionais também não é novidade. Na semana passada, houve um protesto dos candidatos aprovados em concurso do Depen, vinculado ao Ministério da Justiça, de 2015, que não foram nomeados até hoje. O concurso foi feito para preencher 258 vagas. Os aprovados chegaram a fazer curso de formação no ano passado. O grupo a protestou em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Reportar Erro
Deixe seu Comentário
Leia Também

Em nota, Rede MS anuncia morte de Ivan Paes Barbosa por infarto e informa sobre velório

Cabo Goes aponta 'perseguição' da PMMS, mas continua condenado por constrangimento ilegal

Governo autoriza promoções e amplia cursos nas forças de segurança em MS

Morre aos 92 anos Ivan Paes Barbosa, fundador de grupo de comunicação em MS

Escola de Prerrogativas é lançada para capacitar novos advogados em MS

HIV/Aids causou mais de 50 mortes em Campo Grande em 2025, aponta MPMS

Emissão do novo RG abre agendamento com vagas ampliadas no Estado

Operação da PM prende dois e apreende mais de 170 quilos de droga na Capital

Entre idas e vindas na UPA, porteira aciona Justiça para garantir internação em UTI


Brasília - Agentes penitenciários do DF e estados fazem protesto na Esplanada dos Ministérios (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)



