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Saúde

Entre idas e vindas na UPA, porteira aciona Justiça para garantir internação em UTI

A situação expõe a crise na saúde pública em Campo Grande, enquanto uma vaquinha solidária está em andamento para ajudar a trabalhadora em um momento crítico

30 abril 2026 - 11h23Vinícius Santos

Uma trabalhadora de 38 anos, que atua como porteira em um condomínio de Campo Grande, precisou recorrer à Justiça após uma sequência de atendimentos em Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h), diante da suspeita de agravamento do seu estado de saúde e da necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (CTI).

O caso expõe dificuldades mais amplas no acesso à rede pública de saúde, gerida pela prefeitura de Campo Grande por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). A paciente, identificada como Jucilene da Silva, 38 anos, não possui condições financeiras de custear tratamento na rede privada e depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Estado de saúde e idas à UPA

De acordo com relatos de pessoas próximas, Jucilene vem enfrentando um quadro de fraqueza intensa, desidratação e agravamento de diabetes, com suspeita de cetoacidose diabética, condição considerada grave e que pode exigir internação em CTI.

Segundo a amiga Weila Escobar, que acompanha o caso, a paciente teria retornado recentemente à UPA Vila Almeida em estado debilitado, com dificuldades para se locomover, se alimentar e se comunicar.

Ela relata ainda que Jucilene aguardou atendimento inicial por período prolongado até a triagem e que o atendimento médico teria ocorrido apenas após insistência junto à equipe da unidade e assistência social.

Necessidade de CTI/UTI e impasse judicial

Ainda conforme os relatos apresentados, médicos particulares que acompanham o caso teriam indicado necessidade de internação urgente em CTI. No entanto, a unidade pública teria classificado o caso como não emergencial naquele momento, o que gerou divergência entre as avaliações clínicas.

Diante da situação, foi ajuizado pedido de liminar visando à internação em leito de UTI/CTI, caso indicado pela equipe médica, bem como, inexistindo vaga na rede pública, a autorização para internação na rede privada.

O processo é conduzido pelo advogado Diego Gasparini Vianna, que, sensibilizado com a situação, aceitou assumir o caso em regime pro bono (sem custos), com o objetivo de garantir judicialmente o direito à vida da trabalhadora.

Mobilização solidária

Diante do quadro, moradores do condomínio Castel di Verona, localizado no bairro Jardim Seminário, em Campo Grande, iniciaram uma campanha de arrecadação por meio de uma vaquinha online para auxiliar nos custos relacionados ao tratamento.

Segundo os organizadores, a paciente necessita de investigação detalhada, com realização de exames de alta complexidade, como tomografia, ressonância magnética, biópsias e acompanhamento especializado, além de controle rigoroso do diabetes, que teria se agravado recentemente.

A mobilização busca arrecadar recursos diante da urgência do caso e da necessidade de possíveis tratamentos complementares. “Estamos recorrendo ao poder público para que olhe com carinho para uma vida que clama por socorro. Jucilene não pode esperar a burocracia para continuar viva”, afirmou Weila Escobar, amiga da paciente.

O caso segue sob análise judicial e aguarda encaminhamentos da rede pública de saúde.

Sesau

Atualmente, a paciente encontra-se hospitalizada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A reportagem buscou contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) para obter informações sobre as providências adotadas para garantir a realização de exames e a disponibilização de vaga em Centro de Terapia Intensiva (CTI) e Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e aguarda retorno oficial da pasta.

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