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PCC amplia poder financeiro após parceria com o Hezbollah

Organização paramilitar libanesa tem sede em Beirute

25 julho 2017 - 13h59Da redação com agências de notícias


Relatórios inéditos revelaram que  o Primeiro Comando da Capital, o temido PCC ,trabalha numa espécie de parceria comercial com o Hezbollah, a organização paramilitar libanesa, com sede em Beirute, a mais de 10.000km do Brasil. A partir de relatórios  e entrevistas com integrantes de forças de segurança nacionais e estrangeiras, a relação entre os dois grupos é estabelecida para além de simples suposições, expondo o tráfico de drogas e armas, o contrabando — de produtos eletrônicos, cigarros, roupas e combustível — e a sonegação de impostos. Tudo negociado e movimentado a partir das fronteiras.

De acordo com um relatório apresentado pela Fundação de Defesa da Democracia (FDD) — organização não governamental norte-americana que atua no combate a grupos terroristas —, o PCC, maior facção do crime organizado brasileiro, se aliou ao Hezbollah para elevar o poder financeiro.

O documento mostra  que o PCC está comprando drogas em países sul-americanos, como Paraguai e Colômbia, e repassando ao grupo que atua no Líbano. Segundo a FDD, as drogas são adquiridas por um baixo preço nas nações que fazem fronteira com o Brasil e vendidas por valor mais elevado ao Hezbollah. Além disso, a atuação central do PCC seria no contrabando de cigarros.

 Os criminosos se aproveitam da imensa faixa de fronteira do Brasil com 10 países da América do Sul para entrar com produtos ilegais. São mais de 15 mil quilômetros em que graves problemas de vigilância permitem o comércio milionário do crime organizado. O cientista político Guaracy Mingardi, que atuou na Secretaria Nacional de Segurança Pública, investiga o PCC há mais de 20 anos. 

Ele conta que hoje a facção brasileira ganhou ramificações internacionais. “O PCC já é um grupo criminoso internacional. Ele tem escritório no Paraguai para o transporte de drogas e armas, e na Bolívia, onde os entorpecentes são comprados. Tem algumas ligações no Peru, na Colômbia. Muitas vezes, eles podem fazer esse transporte de mercadoria para a Europa e para o Oriente Médio. Já sabemos que ocorre há algum tempo”, destaca.

 Na Bolívia, um quilo de cocaína custa cerca de R$ 10 mil. Já no Brasil, a mesma quantidade chega a valer mais de R$ 20 mil, sendo que muitas vezes é misturada com outros produtos para render mais e pode resultar num lucro de R$ 180 mil. Os representantes do Hezbollah compram a droga pelo preço vendido em território brasileiro, o que propicia um ambiente financeiramente favorável para a expansão do PCC. Por meio de pontos vulneráveis, o entorpecente entra no Brasil via terra, ar e rios.

Rota de escoamento

O ponto mais crítico é na região de Mato Grosso do Sul que faz fronteira com o Paraguai. O país vizinho é usado como rota de escoamento da droga e de produtos ilegais, que vão parar nas grandes cidades brasileiras. Uma vez aqui dentro, a droga é enviada para o comércio nas cracolândias, em bocas de fumo de todos os estados, em presídios e nas periferias. 

No entanto, parte dos entorpecentes trazidos pelo PCC já tem destino certo: segue para o Oriente Médio, comprada pelo Hezbollah. Essas atividades rendem à facção brasileira um orçamento anual de R$ 20 milhões. O dinheiro financia a compra de armas e o recrutamento de criminosos que atuam dentro e fora das prisões para manter o poder paralelo da organização.

 No ano passado, o narcotraficante Jorge Rafaat Toumani, 56 anos, foi assassinado a tiros de metralhadora .50, equipamento usado em guerras. Conhecido como o “Rei do Tráfico”, ele tinha imposto um pedágio para o transporte da droga entre os dois países. De acordo com a Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, entre 30 e 40 veículos do PCC foram usados no ataque que matou Raffat. Na hora do crime, ele estava acompanhado por 30 seguranças e usava uma caminhonete blindada.

 Os prejuízos com o contrabando não se limitam ao financiamento das organizações no Brasil e no exterior. Esse tipo de atividade ilegal causa dano bilionário. O Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) aponta que somente o contrabando de cigarros provoca um impacto negativo de R$ 8,8 bilhões na economia brasileira. Em 2016, o levantamento da instituição mostrou que a pirataria e a sonegação de impostos, resultantes da entrada de produtos ilegais em território nacional, geraram um prejuízo de R$ 130 bilhões nos setores público e privado.

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