O governador Reinaldo Azambuja propôs a formação de um grupo de trabalho, envolvendo o poder público, terceiro setor e segmentos da sociedade, para se discutir modelos de gestão visando manter a preservação do Pantanal, um dos biomas mais sustentáveis do planeta, e a harmonia entre a natureza, o homem e o boi, que se compartilham por mais de 200 anos.
“São desafios que devemos superar avançando as discussões em uma grande mesa, com todos os setores, integrando sempre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, que são um único Pantanal”, afirmou, ao discursar durante a abertura do 1º Seminário Internacional Pantanal, Okavango e Everglades – Desafios e Oportunidades -, na terça-feira (9), no plenário da Assembleia Legislativa, na Capital.
Ao abrir o encontro, o presidente da SOS Pantanal, Roberto Klabin, realçou o comprometimento de Reinaldo Azambuja na definição de uma política única para os pantanais de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Ele disse que o evento busca chamar a atenção para o Pantanal sem radicalismo dos mais diferentes setores, mas, sim, com um entendimento entre ambientalistas, produtores rurais e outros segmentos “para se construir um diálogo e, juntos, pensarmos o futuro da região”.
Ao falar das ações desenvolvidas pelo Governo do Estado em apoio ao meio ambiente e à produção sustentável, Reinaldo Azambuja citou a regulamentação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) – o Estado saiu na frente na definição de um marco regulatório amplamente discutido pela sociedade e instituições de pesquisa – e a recuperação de dois milhões de hectares de pastagens degradadas, credenciando Mato Grosso do Sul como primeiro Estado carbono neutro.
Ameaças vem de fora
Em relação ao CAR, o governador disse que 42,8 mil propriedades rurais foram inscritas (76.6% das áreas passíveis de cadastramento, representando mais de 23 milhões de hectares), e que a meta é chegar em 31 de dezembro deste ano com a totalidade dos imóveis. “O CAR vai proporcionar o aprimoramento das políticas de desenvolvimento sustentável do Estado”, completou.
Para o ele, as ameaças de degradação ambiental ao Pantanal – considerado oficialmente 85% conservado – vem de fora, do planalto, onde a expansão da agropecuária sem critérios, a partir da década de 1.970, gerou o desastre ecológico do Rio Taquari e coloca em risco a perenidade de toda a bacia hidrográfica do Alto Paraguai. “Devemos agir rápido para que o assoreamento e outros efeitos negativos não afetem outras regiões”, pontuou.
Homem pantaneiro
Reinaldo Azambuja reforçou posição já manifestada quanto a necessidade de se discutir apenas um Pantanal, integrando as ações entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, e destacou a ampla discussão, na Assembleia Legislativa, de uma nova legislação de pesca, onde se avalia a proibição por tempo determinado da captura do dourado, um dos peixes nobres da bacia pantaneira. “Podemos inclusive incluir outras espécies”, sugeriu.
Ele falou da pujança e da força econômica do agronegócio para a balança comercial do País, acrescentando que o econegócio também pode ser um grande e vantajoso negócio, conciliando uma atividade lucrativa de forma sustentável e com racionalidade. “Se o Pantanal, que alia seu ambiente natural com a pecuária, é um dos biomas mais preservado, devemos isso ao homem pantaneiro”, sustentou.
O seminário, promovido pela Ong SOS Pantanal, foi realizado também em Cuiabá, na quarta-feira (10.5), e em Brasília, na quinta-feira (11.5), com a proposta de promover uma ampla discussão sobre o turismo, a ocupação econômica, o diálogo de saberes e as possíveis parcerias em favor da construção de caminhos para o desenvolvimento e a proteção do Pantanal. O evento reuniu estudiosos de outros biomas, como Okavango e Everglades.
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