Menu
Menu
Busca quinta, 19 de março de 2026
Gov Rota Celulose Mar26 Capa
Justiça

Organizações criminosas exploram dados de processos para aplicar golpe do falso advogado

O Conselho Nacional de Justiça afirma que tem dado atenção às denúncias e adotado medidas para prevenir e combater o crime

19 março 2026 - 11h23Vinícius Santos

Análise do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que organizações criminosas têm explorado dados de processos judiciais para abordar partes envolvidas em ações, especialmente em demandas previdenciárias, consumeristas e de grande volume, com o objetivo de aplicar o “golpe do falso advogado”.

Conforme o Conselho Nacional de Justiça, a Ouvidoria do órgão registrou 88 denúncias relacionadas ao chamado “golpe do falso advogado” desde maio de 2025 e tem articulado medidas com tribunais e áreas técnicas para reforçar a segurança no acesso aos sistemas de processo eletrônico. Do total de manifestações, 74 foram contabilizadas em 2025 e 14 em 2026.

De acordo com levantamento da Ouvidoria Nacional de Justiça, 70,5% das denúncias foram apresentadas por advogados, que questionam os critérios de segurança dos sistemas utilizados pelos tribunais e apontam possíveis brechas que permitiriam o acesso indevido a informações processuais.

Utilizando linguagem jurídica e se passando por profissionais da advocacia, os golpistas prometem a liberação de indenizações ou valores judiciais mediante pagamento antecipado, prejudicando principalmente pessoas idosas e cidadãos em situação de maior vulnerabilidade social.

O CNJ diz que todas as manifestações recebidas são encaminhadas ao Departamento de Tecnologia da Informação e à Comissão Permanente de Tecnologia da Informação e Inovação do órgão, responsáveis pela interlocução com os tribunais que administram os sistemas de processo eletrônico.

O objetivo é avaliar eventuais vulnerabilidades e promover melhorias tecnológicas que reforcem a proteção das informações processuais. Além disso, a Ouvidoria orienta os cidadãos que foram vítimas ou alvos de tentativa de fraude a registrar ocorrência policial, para que os crimes sejam investigados pelas autoridades competentes.

Para o ouvidor nacional de Justiça, conselheiro do CNJ, Marcello Terto e Silva, o enfrentamento desse tipo de fraude exige uma atuação integrada entre tecnologia, proteção de dados e conscientização da sociedade. “A preservação da confiança pública no Poder Judiciário passa, necessariamente, pela proteção dos cidadãos contra a instrumentalização ilícita do processo judicial, sobretudo quando destinada a violar direitos e explorar economicamente aqueles que buscam na Justiça a garantia de sua dignidade”, afirmou.

Redução de denúncias

Dados levantados pela Ouvidoria indicam que houve redução progressiva das reclamações classificadas como “golpe do falso advogado” a partir do segundo semestre de 2025, período em que os tribunais intensificaram a adoção de duplo fator de autenticação nos sistemas de processo eletrônico.

Segundo Marcello Terto, a medida representou um avanço importante para dificultar acessos indevidos às plataformas judiciais.

“O impacto é evidente: a diminuição progressiva das ocorrências reportadas indica que a exigência de autenticação reforçada contribuiu diretamente para dificultar acessos indevidos, mitigar a extração massiva de informações processuais e enfraquecer a atuação dessas redes criminosas”, destacou.

O conselheiro também alertou que pessoas idosas frequentemente são alvo preferencial dessas quadrilhas, especialmente em ações previdenciárias ou relacionadas a créditos judiciais.

Como denunciar

As denúncias podem ser registradas por meio do formulário eletrônico da Ouvidoria Nacional de Justiça, disponível no site do CNJ.

Outras iniciativas 

Durante a primeira sessão extraordinária do CNJ de 2026, realizada em 3 de março, o Plenário aprovou nota técnica favorável ao Projeto de Lei n. 4.709/2025, que cria medidas para prevenir e combater o chamado golpe do falso advogado e outras fraudes relacionadas a processos eletrônicos.

O projeto determina que os tribunais adotem mecanismos de segurança como autenticação multifator obrigatória para magistrados, membros do Ministério Público, defensores, servidores e advogados, além de prever alertas automáticos em caso de acessos suspeitos aos sistemas.

A Nota Técnica n. 0001199-76.2026.2.00.0000, relatada pelo Conselheiro Rodrigo Badaró, também sugere que a autenticação multifator possa incluir biometria, além do certificado digital, e reforça que o CNJ atuará em articulação com a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Segundo Badaró, as medidas não reduzem a transparência dos processos judiciais. “O combate ao golpe deve ocorrer com mais segurança no acesso aos sistemas, e não com menos publicidade”, afirmou.

JD1 No Celular

Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.

Conforme o Conselho Nacional de Justiça, a Ouvidoria do órgão registrou 88 denúncias relacionadas ao chamado "golpe do falso advogado" desde maio de 2025 e tem articulado medidas com tribunais e áreas técnicas para reforçar a segurança no acesso aos sistemas de processo eletrônico. Do total de manifestações, 74 foram contabilizadas em 2025 e 14 em 2026.

De acordo com levantamento da Ouvidoria Nacional de Justiça, 70,5% das denúncias foram apresentadas por advogados, que questionam os critérios de segurança dos sistemas utilizados pelos tribunais e apontam possíveis brechas que permitiriam o acesso indevido a informações processuais.

Utilizando linguagem jurídica e se passando por profissionais da advocacia, os golpistas prometem a liberação de indenizações ou valores judiciais mediante pagamento antecipado, prejudicando principalmente pessoas idosas e cidadãos em situação de maior vulnerabilidade social.

O CNJ diz que todas as manifestações recebidas são encaminhadas ao Departamento de Tecnologia da Informação e à Comissão Permanente de Tecnologia da Informação e Inovação do órgão, responsáveis pela interlocução com os tribunais que administram os sistemas de processo eletrônico.

O objetivo é avaliar eventuais vulnerabilidades e promover melhorias tecnológicas que reforcem a proteção das informações processuais. Além disso, a Ouvidoria orienta os cidadãos que foram vítimas ou alvos de tentativa de fraude a registrar ocorrência policial, para que os crimes sejam investigados pelas autoridades competentes.


Para o ouvidor nacional de Justiça, conselheiro do CNJ, Marcello Terto e Silva, o enfrentamento desse tipo de fraude exige uma atuação integrada entre tecnologia, proteção de dados e conscientização da sociedade. "A preservação da confiança pública no Poder Judiciário passa, necessariamente, pela proteção dos cidadãos contra a instrumentalização ilícita do processo judicial, sobretudo quando destinada a violar direitos e explorar economicamente aqueles que buscam na Justiça a garantia de sua dignidade", afirmou.

Redução de denúncias

Dados levantados pela Ouvidoria indicam que houve redução progressiva das reclamações classificadas como "golpe do falso advogado" a partir do segundo semestre de 2025, período em que os tribunais intensificaram a adoção de duplo fator de autenticação nos sistemas de processo eletrônico.

Segundo Marcello Terto, a medida representou um avanço importante para dificultar acessos indevidos às plataformas judiciais.

"O impacto é evidente: a diminuição progressiva das ocorrências reportadas indica que a exigência de autenticação reforçada contribuiu diretamente para dificultar acessos indevidos, mitigar a extração massiva de informações processuais e enfraquecer a atuação dessas redes criminosas", destacou.

O conselheiro também alertou que pessoas idosas frequentemente são alvo preferencial dessas quadrilhas, especialmente em ações previdenciárias ou relacionadas a créditos judiciais.

Como denunciar

As denúncias podem ser registradas por meio do formulário eletrônico da Ouvidoria Nacional de Justiça, disponível no site do CNJ.

Outras iniciativas 

Durante a primeira sessão extraordinária do CNJ de 2026, realizada em 3 de março, o Plenário aprovou nota técnica favorável ao Projeto de Lei n. 4.709/2025, que cria medidas para prevenir e combater o chamado golpe do falso advogado e outras fraudes relacionadas a processos eletrônicos.

O projeto determina que os tribunais adotem mecanismos de segurança como autenticação multifator obrigatória para magistrados, membros do Ministério Público, defensores, servidores e advogados, além de prever alertas automáticos em caso de acessos suspeitos aos sistemas.

A Nota Técnica n. 0001199-76.2026.2.00.0000, relatada pelo Conselheiro Rodrigo Badaró, também sugere que a autenticação multifator possa incluir biometria, além do certificado digital, e reforça que o CNJ atuará em articulação com a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Segundo Badaró, as medidas não reduzem a transparência dos processos judiciais. "O combate ao golpe deve ocorrer com mais segurança no acesso aos sistemas, e não com menos publicidade", afirmou.

Reportar Erro

Deixe seu Comentário

Leia Também

Fórum de Campo Grande - Foto: Reprodução
Justiça
Justiça de Campo Grande condena advogado a devolver R$ 21 milhões a clientes
Marquinhos Trad e Adriane Lopes
Justiça
Ministério Público apoia queixa-crime contra Adriane por fala sobre manifestantes contratados
Justiça aceita denúncia de estupro sem contato físico em Dourados
Justiça
Justiça aceita denúncia de estupro sem contato físico em Dourados
Desembargadora Elizabete Anache - Foto: Reprodução
Justiça
'Ambientes digitais mais seguros', destaca desembargadora do TJMS sobre o ECA Digital
juiz Cezar Luiz Miozzo
Justiça
Após 23 anos na Justiça Itinerante, Cezar Luiz Miozzo será o novo desembargador do TJMS
Divulgação: IBRAPARC
Justiça
STF condena deputados por cobrança de propina ligada a emendas parlamentares
Fábio Luís Lula da Silva
Justiça
PF compartilhou com o STF receio de fuga de Lulinha do Brasil
TJMS aumenta pena de homem que matou cachorra da ex-companheira em Campo Grande
Justiça
TJMS aumenta pena de homem que matou cachorra da ex-companheira em Campo Grande
Christian e Stephanie são réus pela morte de Sophia
Justiça
Pena de Christian sobe e mãe de Sophia é apontada como culpada, mas tem pena reduzida
Local do Crime -
Justiça
Justiça barra recurso e acusado de tentativa de feminicídio vai a júri em Campo Grande

Mais Lidas

Mandado está sendo cumprido no Camelódromo
Polícia
Camelódromo é alvo de operação da PF contra esquema milionário de descaminho
Momento do crime - Foto: Arte / JD1
Polícia
Vídeo mostra execução a tiros e correria generalizada em adega lotada no Jd. Vida Nova
Marcas no corpo da criança - Foto:WhatsApp / JD1
Polícia
Criança é surrada pelo próprio pai; mãe busca proteção na Polícia Civil em Campo Grande
Prisão foi feita pela DHPP
Polícia
Homem é preso por atirar 13 vezes contra casal em Campo Grande