O desejo de se expor perante a mulher e a amante, além da “boca aberta”, foram os ingredientes que levaram a ruína do ex-guarda municipal Marcelo Rios. A ostentação e falta de discrição do operador de Jamil Name, irritou até o chefe da organização criminosa, conforme mostram os documentos constitutivos apresentados pelo Ministério Público Estadual para embasar a denúncia do que eles chamam de verdadeira milícia no Estado.
Entre os depoimentos mais fortes estão de Liliane Caminha de Oliveira, amante de Rios, e Eliane Benitez Batalha dos Santos, que era casada com o ex-guarda municipal. Ele foi preso em flagrante na casa do Monte Líbano, que para ostentar, dizia que ganharia de presente de Jamil Name Filho e que moraria lá com a amante. Já para a esposa, ele contava as atividades ilícitas que cometia e ainda desabafava sobre o medo que sentia.
Rios, confessava ter medo de morrer, depois que Jamil Name ficou sabendo que ele, estava expondo suas funções na organização criminosa e também a casa que era usada como paiol ou “guarda-roupas”, ou seja, onde eram guardadas as armas da milícia. Em nota de rodapé no processo, a “casa das armas” ficou exposta após o ex-guarda municipal levar mulheres e amigos ao local para tomar banho de piscina.
À polícia, Liliane contou que passou com Marcelo em frente ao local e ele contou que ganharia a casa de Jamil Name Filho, e que diante disso, teria aconselhado o amante a não aceitar, já que também temia pela vida dele. Já a esposa contou durante depoimento que, também já havia sido chamada para tomar banho de piscina no local, mas por saber que lá estavam guardadas armas, ela sempre arrumava desculpas para não ir.
Comportamento diferente
Eliane narrou em detalhes aos policiais, o comportamento do marido quando ele cometia um assassinato. No caso de Marcel Colombo, morto a mando de Jamilzinho, por exemplo, ela contou que uma semana antes o marido já mostrava comportamento agitado e que no dia da morte, demonstrou preocupação em mostrar aos chefes o que tinha acontecido, inclusive ligando para Jamil Name Filho para falar que já tinha saído na imprensa sobre a morte do “Playboy da Mansão”, desafeto morto a mando de Jamilzinho, com quem tinha rixa após um desentendimento em uma boate da capital, acontecido anos antes.
O comportamento piorou com a morte do estudante Matheus Xavier, momento em que Rios contou a mulher que acreditava ter “acabado com a própria vida”, já que o alvo seria o ex-policial Paulo Xavier, também desafeto da família Name e que viu o filho morrer em seus braços. O assassinato do estudante no dia 9 de abril e depois disso, Marcelo “não comia e nem dormia” e que sua “cabeça ia rolar”, já que a contratação era para que Xavier fosse morto e não o filho.
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