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Opinião

OPINIÃO: Expectativa e Realidade

O que almejamos e o que se impõem pela realidade

19 janeiro 2023 - 16h21Josiberto Martins de Lima

Em situações limites ou em botequins é comum alguém dizer que determinado assunto ou lugar não é para amadores, algo como o enigma da esfinge – decifra-me ou te devoro – enfrentado por Édipo. Também é comum dizer que em certos lugares não se morre de tédio.

Ante os acontecimentos que vivenciamos durante os últimos meses no Brasil ouso dizer que aqui não é terra para amadores ou aventureiros desalmados que não se compadecem da dor alheia ou expressam antipatias pelas classes menos favorecidas do povo brasileiro, a grande maioria, pretos, pobres, favelados, povos originários, os desvalidos de sempre. E aqui também muitos morrem de diversas causas, de “balas perdidas”, dengue, brigas de gangues e “acertos de contas”, além de doenças do coração, neoplasias e outras tantas causas, menos de tédio.

As eleições para presidente da República, governadores de estados, senadores e deputados ocorridas no segundo semestre de 2022, foram precedidas de campanhas tensas, permeadas de mais agressões e desconstruções de reputações do que propriamente propostas para a melhoria da qualidade de vida da população.

E após a divulgação do resultado das eleições presidenciais, com a vitória do Candidato Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno, o que passamos a assistir foi uma onda de manifestações de inconformismo dos eleitores do candidato derrotado Jair Bolsonaro, que antes e durante a campanha lançou uma série de ataques infundados contra o sistema eleitoral, em especial contra as urnas eletrônicas.

A consequência foi uma onda de bloqueios de rodovias e vias públicas por todo o Brasil, causando inúmeros prejuízos e transtornos a viajantes e ao público em geral, inclusive a retenção de ambulâncias que transportavam doentes, que só foram liberadas depois de muito tempo mediante a apresentação de atestados médicos. Logo em seguida foram montados acampamentos em frente a quartéis das forças armadas, tolerados de forma leniente pelos comandantes militares e contando com a participação ativa de muitos deles, inclusive mulheres de oficiais de alta patente. O desmonte dos acampamentos se deu após a tentativa fracassada de golpe do dia 8 de janeiro de 2023.

Também ocorreram manifestações xenófobas contra nordestinos que em grande maioria votaram em Lula, o que foi determinante para sua vitória. Em grupos de WhatsApp frequentado por bolsonaristas ainda surgem frases como “decepção é nosso povo que ainda vota nele (Lula)”; “tinha que ter zero votos do povo”; “pior golpe foi soltar o ladrão, limpar a ficha dele e ainda homologar sua candidatura a presidente”.

Circula nas redes sociais uma charge atribuída ao jornal francês Le Mond, em que um quinteto de conservadores trajados com camisetas amarelas carrega uma faixa com a frase: “NON A LA DICTATURE DE LA REALITÉ!”.

Mas a realidade e a vontade do povo se impõem, pelos princípios consagrados em nossa Constituição e nas leis que respaldam o Estado Democrático de Direito, em que a maioria decide quem deve ocupar o cargo mais importante da República Federativa do Brasil. Lula foi eleito presidente pelo povo brasileiro, pela terceira vez. Ele que “foi enterrado vivo” – palavras ditas por ele mesmo durante o histórico discurso da vitória diante de seus apoiadores na Avenida Paulista – tem o poder-dever de exercer o mandato emanado do povo, cumprir as promessas feitas durante a campanha. Essa é a realidade que se impõe.

Quem é verdadeiramente patriota, concorde ou não com as ideias do presidente eleito e empossado, já no exercício de seu mandato, espera que ele faça uma boa gestão e conduza bem os destinos da Nação.

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